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sexta-feira, janeiro 08, 2016

Sai Lopetegui, regressa o Zé do Boné

Porque exprimir o portismo quando se está na mó de cima é muito fácil e porque é nas horas menos boas que mais que nunca os adeptos se devem fazer ouvir, retomamos as publicações neste blogue embora sem promessas de publicações regulares. Será quando tiver que ser e conforme a inspiração mas sempre com a mesma tónica: F.C.Porto acima de tudo!




Ao que tudo indica, chegou ao fim o ciclo Lopetegui no Porto. O treinador espanhol não resistiu ao mau ambiente que se foi criando à sua volta e também em torno da equipa, isto após um péssimo arranque de ano. O último e inglório empate diante do Rio Ave acabou por ser o golpe final numa situação que já vinha arrastando há demasiado tempo.

Lopetegui chegou ao Porto prometendo muito ao trazer consigo a aura de um treinador campeão europeu com as "Rojitas" de sub-19 e sub-21 e, ao mesmo tempo, sendo também um elemento decisivo (mas não exclusivo já que o prestígio internacional do F.C.Porto também contou) para trazer para o Dragão vários jogadores de nomeada.

Infelizmente a vida não foi fácil para o basco em Portugal. Cedo começou a cobrança, quase mal chegou a Portugal, sendo a nacionalidade do treinador e a predominância de espanhóis no plantel armas de arremesso que de vários quadrantes caíram em cima de Lopetegui.

Também desde cedo se começou a sentir que Lopetegui estava sozinho contra o Mundo. Era ele quem afrontava as instituições e comunicação social mais afoita a destacar o bom de Lisboa e o mau do Porto do que fazer um tratamento equilibrado dos factos, algo a que já estamos sobejamente acostumados. 

Veja-se por exemplo a forma como a não convocatória de Ricardo Quaresma para o Mundial 2014 foi tratada pela comunicação social e compare-se com o alarido de que foi alvo o facto de não ser primeira opção de Lopetegui na época passada. Primeiro era um arruaceiro que não merecia jogar, por se ter travado de razões com um jogador do Nacional, e depois já era um talento incompreendido por um técnico estrangeiro que preferia jogadores da sua escolha pessoal.

Veja-se também a diferença entre o tratamento dispensado às reclamações de Lopetegui em relação à arbitragem (o colinho que na fase menos boa do Benfica, no ano passado, conseguiu manter os encarnados vivos) e as do sacro-santo Jesus, então de vermelho equipado. Sintomático.

Da SAD portista, sobram os dedos de uma mão para contas as vezes que saiu alguém a terreiro para defender o técnico. Só me lembro das recentes declarações de Pinto da Costa, antes do final do ano de 2015. De resto nada! Lopetegui esteve sempre isolado contra tudo: a comunicação social e os adeptos, mais depressa contagiados por aquilo que é negativo do que pelo que é positivo.

É certo que Lopetegui tem responsabilidades no que aconteceu mas não é o único responsável. A obsessão do basco pela rotatividade jogou várias vezes contra si ao impedir a estabilidade da equipa. Várias foram as situações em que, após um conjunto de boas exibições e quando se pedia estabilidade, o treinador decidia mudar mais de meia equipa, resultando daí um resultado menos bom.



Também a táctica pode ser questionada, ao privilegiar a posse de bola sem acutilância, valendo não raras vezes o génio individual deste ou daquele jogador para resolver o jogo.

Já aqui falei dos adeptos mas volto ao tema. Tem-se notado nos últimos anos uma mudança de comportamento de grande parte dos adeptos do F.C.Porto, um certo -passe a expressão- aburguesamento reivindicativo. Manifestam-se mais na crítica do que no apoio e quando assim é, a equipa perde o 12º jogador para o adversário. Veja-se a diferença em termos de comportamento em relação aos adeptos de outras paragens, mais a Sul, sempre prontos a fazer-se ouvir em alto e bom som contra o adversário e infernizando a vida aos árbitros. No Porto é diferente, chegando-se a ouvir assobios logo nos primeiros minutos de jogo... dirigidos ao próprio F.C.Porto! 

Os jogadores também têm a sua quota-parte de responsabilidade. Com intranquilidade é mais complicado render, é certo, mas é notório que há alguns "craques" mais interessados em mostrar-se para conseguirem bons contratos noutras paragens do que em lutar pela equipa. Outros há que não parecem interessados em coisa nenhuma a não ser no pagamento no final do mês. Sinais claros que a liderança já se tinha diluído.

Se isto não muda, só muito a custo os títulos voltarão ao Dragão até porque, se a cada treinador nenhum tempo é dado e a cobrança começa precocemente, não haverá tranquilidade nem confiança para desenvolver trabalho. 

A questão que irá dominar os próximos tempos é quem será o novo treinador do Porto, sendo avançados vários cenários: Nuno Espírito Santo, nesta altura um treinador livre e já várias vezes elogiado por Pinto da Costa, André Villas-Boas, que já manifestou o seu descontentamento em São Petersburgo, Luís Castro, que tem conduzido os B num percurso notável na II Liga, entre outros.

A última opção será para mim a menos desejável pois isso significaria expor novamente o bom profissional que é Luís Castro a uma situação altamente desgastante e estragar aquilo que tem sido um excelente trabalho de valorização de jovens. Villas-Boas será nesta altura pouco provável, visto que está ainda em contrato com o Zenit e o clube russo não estará muito receptivo a ficar sem o seu treinador a meio do campeonato, com tanto ainda em jogo. Nuno Espírito Santo, já várias vezes elogiado por Pinto da Costa, será para já a opção mais provável mas só os próximos dias dissiparão as dúvidas. Acredito que o facto de conhecer previamente os cantos à casa para acelerar a integração será sem dúvida um factor de peso na decisão.

Até lá, a única coisa que importa é apoiar o F.C.Porto e os seus jogadores, já na próxima jornada contra o Boavista. O campeonato está ainda totalmente em aberto e todos irão ainda perder pontos pelo que tudo pode acontecer.

A Lopetegui resta agradecer pelo tempo como treinador do Porto e lamentar que não tenha tido mais sucesso. Pessoalmente, era uma figura com quem simpatizava, alguém com um discurso assertivo e que não fazia das conferências de imprensa as peixeiradas a que se assiste por aí. Desejo-lhe sinceramente muita sorte no futuro, excepto se reencontrar o Porto como adversário.




quarta-feira, março 09, 2011

Recordações do CSKA x FC Porto - Parte II

Em 2006/2007, duas épocas após o seu primeiro encontro, o FC Porto e o CSKA de Moscovo voltaram a encontrar-se na Liga dos Campeões.

O FCPorto entretanto recuperara a primazia futebolística em Portugal com a obtenção da dobradinha na época anterior, conduzido pelo polémico holandês Co Adriaanse, que armou a equipa num arrojado 3-3-4 que produzia um futebol extremamente atractivo, mas cujo feitio difícil levou à sua dispensa no início da segunda época.

Para o seu lugar, vindo de apenas algumas semanas de trabalho no Boavista, chegou o professor Jesualdo Ferreira, que deixara boa imagem em Braga.

No sorteio dos grupos da Liga dos Campeões, que ineditamente contava com 3 equipas portuguesas (FCP, SCP e SLB), o FC Porto ficou colocado no grupo G, juntamente com o atrás referido CSKA de Moscovo, para além do Arsenal e do Hamburgo. (Ver a compilação de todos os jogos desse grupo aqui).

Tal como acontecera em 2004/2005, o primeiro jogo foi precisamente contra o CSKA no Dragão e o resultado voltou a ser um empate a 0 golos, pese embora o domínio do FC Porto conduzido por um jovem jogador que enchia o campo: Anderson. Foi aliás do brasileiro a melhor oportunidade do jogo, com um estrondoso remate ao poste, mesmo apertado por um defesa contrário.

Nesse primeiro jogo, o FC Porto alinhou com:

Guarda-redes: Helton
Defesas: Pepe, Bosingwa, Bruno Alves e Ezequias;
Médios: Lucho, Anderson e Paulo Assunção;
Avançados: Tarik, Adriano e Quaresma
Jogaram ainda: Lisandro, Alan e Postiga

Como também tinha acontecido em 2004/2005, o FC Porto viajou em seguida para Inglaterra, perdendo com o Arsenal por 2-0. Contudo, ao contrário dessa época, o FC Porto venceu sem apelo nem agravo os dois jogos seguintes contra o Hamburgo, 4-1 no Porto e por 3-1 na Alemanha.

O FC Porto viajou para Moscovo na penúltima jornada do grupo G em 3º lugar do grupo, com os mesmos 7 pontos do Arsenal, que ia ao Dragão na jornada seguinte, atrás do líder do grupo que era precisamente o CSKA com 8 pontos.

Sabendo de antemão que o Arsenal não deveria ter problemas em bater o Hamburgo em Londres, o FC Porto via-se obrigado a pontuar, isto para não correr o risco de se ver relegado para o 3º lugar, sendo "despromovido" à Taça UEFA.

A 21 de Novembro de 2006, o FC Porto não só pontuou como o conseguiu vencendo o jogo por 2-0, com golos de Quaresma, logo a abrir o jogo, e Lucho Gonzalez. Nesse jogo o FC Porto alinhou com:

Guarda-redes: Helton
Defesas: Pepe, Bosingwa, Fucile, Bruno Alves
Médios: Lucho, Raul Meireles e Paulo Assunção
Avançados: Lisandro, Quaresma e Helder Postiga
Jogaram ainda: Jorginho, Alan e Bruno Moraes

Depois deste jogo, um empate bastava tanto ao Arsenal como ao FC Porto para seguirem em frente e foi precisamente isso que aconteceu no Dragão, com uma igualdade a 0 golos na última jornada, ficando na retina os dois remates ao poste por Ricardo Quaresma. Ainda assim, de Hamburgo vieram boas notícias, já que a equipa local conseguiu os seus únicos 3 pontos na prova ao baterem o CSKA por 3-2.

Sendo apurado em 2º lugar, com os mesmos 11 pontos do Arsenal, o FC Porto viria novamente a cair na fase seguinte, desta vez aos pés do já conhecido Chelsea de José Mourinho, com uma igualdade 1-1 no Dragão e uma derrota por 1-2 em Londres, apesar de ter ainda assim marcado primeiro nesse jogo.


Amanhã esperamos um Porto forte e personalizado, como nos tem habituado a equipa de Villas-Boas, para cumprir a (boa) tradição dos jogos na Rússia. O FC Porto tem a vantagem de jogar em casa a 2ª mão para, desta forma, poder ainda rectificar um eventual mau resultado, ou confirmar o apuramento, se tudo correr como desejamos.

Acima de tudo, é importante que os adeptos estejam com a equipa, para a apoiarem de princípio ao fim. Vamos a eles!

Recordações do CSKA x FC Porto - Parte I

O FCPorto reencontra amanhã um "velho conhecido" das lides da Liga dos Campeões, competição onde os clubes jogaram entre si 4 vezes, com o FC Porto a sair favorecido do confronto com os russos:

2 vitórias (em Moscovo);
2 empates (no Porto);
3-0 em golos (McCarthy, Quaresma e Lucho)

O primeiro jogo entre as duas equipas aconteceu na edição de 2004/2005 da Liga dos Campeões, com o FC Porto a defender o estatuto de detentor do título e a atravessar o turbulento processo de reestruturação que se seguiu a essa magnífica conquista, que levou praticamente à renovação completa da equipa, que agora era comandada pelo aragonês Victor Fernandez que acabaria por sair, apesar de ter vencido a Taça Intercontinental, substituído pelo actual director/treinador do Sporting José Couceiro.

No sorteio, por capricho do destino, o FC Porto ficou colocado no grupo do Chelsea, onde se estreava José Mourinho, transferido dos dragões para o clube de Abramovich após duas épocas e ouro no Porto, do CSKA de Moscovo e do Paris Saint-Germain.

O primeiro jogo foi precisamente contra os moscovitas no Dragão, tendo-se saldado por uma decepcionante igualdade a 0 golos.

No FC Porto alinharam:

Guarda-redes: Baía; Defesas: Seitaridis, Pepe, Jorge Costa e Areias;
Médios: Costinha, Maniche, Diego e Carlos Alberto;
Avançados: Quaresma e Postiga.
Jogaram ainda: Hugo Leal; Luís Fabiano e Benny McCarthy.

Após este empate, seguiram-se duas derrotas, uma por 3-1 em Londres e outra por 2-0 em Paris (com um golo de Pauleta) e o apuramento começava a tornar-se uma miragem. Para piorar as coisas, o PSG conseguiu também vir empatar 0-0 no Dragão. Assim, o FC Porto foi a Moscovo com 2 derrotas e 2 empates, com 1 golo marcado e 5 golos sofridos no pecúlio.

Nessa noite de 24 de Novembro de 2004, com temperaturas negativas e com o relvado completamente coberto de gelo, o FC Porto alinhou com um onze substancialmente diferente do primeiro jogo, fruto também da dificuldade de Fernandez em estabilizar a equipa:

Guarda-redes: Nuno Espírito Santo;
Defesas: Jorge Costa, Pedro Emanuel, Seitaridis e Ricardo Costa;
Médios: Bosingwa, Costinha e Maniche;
Avançados: Derlei, Quaresma e Benny McCarthy.
Jogaram ainda: Pepe, César Peixoto, Hugo Almeida

Mostrando já a tradicional resistência ao frio e ao gelo, o FC Porto conseguiu uma grande vitória por 1-0, com o golo a ser apontado pelo sul-africano Benny McCarthy à passagem da meia hora.




Este resultado seria um incentivo importante para o outro grande feito da jornada seguinte, a última, que seria a vitória no Dragão diante do Chelsea por 2-1, numa grande exibição que o 0-1 de Damien Duff, logo na primeira parte, ajudou a engrandecer. A reviravolta seria consumada pelos golos de Diego e Benni McCarthy, este já no final da partida.

Com este resultado, o FC Porto acabaria por ultrapassar o Paris Saint-Germain na classificação, que ao mesmo tempo, perdia no Parque dos Príncipes com o CSKA por 1-3, quedando-se no 2º lugar e garantido o apuramento para a fase seguinte.

Infelizmente, nos oitavos-de-final, o FC Porto seria eliminado pelo Inter de Milão, após um empate a 1 golo no Dragão e uma derrota por 1-3 em Milão.

Quanto ao CSKA, os moscovitas foram relegados para a Taça UEFA e acabariam por fazer história ao chegarem à final na qual, em pleno Estádio de Alvalade, derrotaram o Sporting CP por 3-1, conquistando o troféu.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Sorteio da fase de grupos da Liga Europa - A sorte não foi madrasta


Para já, a sorte parece ter sorrido aos clubes portugueses. O FCPorto vai reencontrar o Besiktas e... Ricardo Quaresma, jogador que tem dado nas vistas (finalmente), depois do duplo confronto na Liga dos Campeões de 2007/2008. Na altura o FCPorto venceu os 2 jogos, o primeiro em Istambul por 1-0 com o golo a ser obtido em cima do apito final por... Ricardo Quaresma. Quanto ao Rapid e ao CSKA trata-se de uma dupla estreia para os dragões.

Comentários e a análise aos adversários mais logo aqui no Zé do Boné.

Infografia: UEFA.COM

terça-feira, agosto 17, 2010

Walter disponível, James a aquecer e Meireles a ficar frio

Finalmente o FCPorto já poderá contar com Walter para o importante jogo frente ao Genk. Já não era sem tempo! Este "reforço" chega na melhor altura já que, apesar de estarmos a assistir a um discurso redutor relativamente à valia dos belgas, não podemos esquecer o pobre desempenho do FCPorto em jogos em solo belga e o momento actual do Genk que conta por vitórias os 3 jogos já realizados na Jupiler League, com 11 golos marcados e apenas 1 sofrido. Isto torna-se ainda mais relevante se tivermos em conta que o Genk, perante o favoritismo anunciado do FCPorto, nada tem a perder e irá jogar certamente sem complexos. Por outro lado, até agora, Villas Boas apenas dispunha de Falcao para o lugar de ponta-de-lança.

Praticamente resolvida está também a situação de James. Curiosa é a escolha do Clarim Vermelho (fonte da imagem) para a sua primeira página de hoje, dando a ideia de que o FCPorto está ainda a dever dinheiro ao Banfield. O jovem (não direi prodígio porque prodígios são todos os jovens que rumam à Luz) colombiano já deverá estar à disposição de Villas Boas na próxima jornada da Liga, paga que está a primeira prestação prevista no acordo de venda.

Quem continua à espera de sair é Raúl Meireles. Este caso lembra o episódio da saída de Quaresma que chegou a classificar a indefinição da sua situação como "um pesadelo", logo após ter saído para o Inter onde, como todos nos recordamos, fez furor. Esta situação deixa apesar de tudo um amargo de boca porque, se o caso do extremo era expectável, dado o seu espírito mercenário (não pondo em causa tudo o que de bom fez enquanto esteve no FCPorto), já Raúl Meireles era visto como um símbolo do espírito "à Porto" e era o tipo de jogador que se esperava que terminasse carreira no Dragão. O próprio jogador já não esconde o seu estado de espírito, mostrando estar "mortinho" por sair mas... e se isso não acontecer?

domingo, agosto 15, 2010

Naval 0 x 1 FCPorto - Stewards em campo já!

É a ideia que fica depois de ter visto os 2 jogos oficiais do FCPorto esta época. Está bem, o primeiro não o vi em directo, apesar de, acreditem, ter sido uma excelente sensação regressar a Portugal e, no exacto momento em que chegava a Vilar Formoso, ligar o rádio e ouvir Jorge Jesus elogiar a prestação do FCPorto e a justeza da vitória.

Mas regressando ao tema de abertura, depois de ter visto a violência que os jogadores do FCPorto sofreram no jogo da Supertaça em lances que até no Afeganistão dariam direito a expulsão, mas não no entender do Sr. Árbitro do Túnel, foi exasperante ver ontem os "mimos" que foi permitido aos jogadores da Naval darem aos atletas do FCPorto. Que o digam Moutinho, alvo de uma pisadela na cabeça e, já no fim, Guarín que, por pouco, não partiu a perna. Fica para saber contudo quais vão ser as sequelas para o colombiano. Quanto à verdade desportiva, essa, resume-se pelos vistos na praça pública a duvidar(??) da existência do penalty que deu a vitória, justa aliás, ao FCPorto.

Ontem a pressão não resultou como esperado, o FCPorto sofreu a bom sofrer para trazer os 3 pontos mas não são exactamente estas as vitórias que caracterizam o estofo de um candidato a campeão? O dado essencial, para já, é que em relação à época passada o FCPorto ganhou mais 3 pontos visto que havia saído derrotado da Figueira da Foz em jogo de má memória.

Há ainda muito a rever (posicionamentos, eficácia,...), ajustes a fazer no plantel (a indefinição em torno de Meireles não ajuda nada, lembra o que se passou com Quaresma) e ainda há que explicar o que se passa com James e Walter mas para já, no primeiro teste da época, missão cumprida!!

A Sul, entra em campo o anunciado campeão desta época procurando atirar areia para os olhos com as alegadas ausências. Que fique bem claro: a verdade desportiva já está ferida pela presença na convocatória de Carlos Martins, César Peixoto, Cardozo e David Luiz que deveriam ter sido expulsos no jogo da Supertaça. Pormenores...

terça-feira, dezembro 29, 2009

Os melhores da década

Agora que a década está a chegar ao fim, é legítimo recordar e homenagear os melhores jogadores que durante os últimos 10 anos defenderam as cores do FCPorto.

Sendo assim, iniciamos hoje a votação para os melhores jogadores da década, entre guarda-redes, defesas, médios e avançados.

Só pode ser escolhido um jogador de cada sector. No final da votação, na primeira semana de Janeiro, será aqui colocada a lista dos escolhidos, assim como o melhor 11 da década, formado pelos mais votados.

Votem já na sondagem à direita!


Guarda-Redes
Helton, Baía, Rui Correia, Ovchinnikov


Defesas
Bruno Alves, Fucile, Cissokho, Pedro Emanuel, Bosingwa, Pepe, Jorge Costa, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Jorge Andrade e Carlos Secretário

Médios
Raul Meireles, Fernando, Lucho Gonzalez, Cristian Rodriguez, Mariano Gonzalez, Paulo Assunção, Anderson, Diego, Costinha, Maniche, Deco, Dmitri Alenitchev, Sérgio Conceição, Pedro Mendes, Carlos Paredes.

Avançados
Radamel Falcao, Hulk, Lisandro Lopez, Tarik Sektioui, Ricardo Quaresma, Adriano, Benny McCarthy, Derlei, Helder Postiga, Capucho, Pena

terça-feira, dezembro 15, 2009

Passaram 5 anos desde Yokohama

Yokohama - 12 de Dezembro de 2004

Pedro Emanuel prepara-se para entrar na história do FCPorto numa imagem que ficou irremediavelmente associada à Taça Intercontinental de 2004





Passaram já 5 anos desde a última grande conquista internacional do FCPorto: a Taça Intercontinental que entretanto foi "substituída" pelo Campeonato Mundial de Clubes mas que invariavelmente continua apenas a inscrever clubes sul-americanos e europeus na lista dos vencedores das provas.

Naquela noite (manhã em Portugal) foram necessários 120 minutos e 9 penalties para o FCPorto se sagrar campeão mundial de clubes pela segunda vez na sua história após um jogo onde mais que contra uma ultra-defensiva equipa colombiana, teve de se haver com os postes, o azar e um guarda-redes em grande momento de inspiração.

Vítor Baía, que começou a titular, seria substituído por Nuno Espírito Santo no decorrer do jogo como medida de precaução devido a problemas cardíacos decorrentes, presume-se, do jetlag.

Victor Fernandez, contratado para a difícil tarefa de substituir José Mourinho (não vamos aqui contabilizar a breve passagem de 1 mês de Del Neri pelo comando da equipa) não se conseguiu impor acabando por ser demitido após uma derrota com o Braga no Dragão por 1-3. Seria depois substituído por José Couceiro. Ainda assim, conseguiu conquistar a Supertaça frente ao Benfica e a Taça Intercontinental.

Uma passagem ingrata num momento em que o FCPorto estava em pleno processo tumultuoso de desmembramento da fabulosa equipa que durante duas épocas consecutivas mandou na Europa do futebol.

Uma nota trágica ligada a este jogo é que, pouco depois desta final, Luis Montoya, treinador do Once Caldas, viria a ser baleado na Colombia ao tentar proteger a sua irmã de um grupo de assaltantes, tendo ficado com parte do corpo paralisada.


A equipa do FCPorto:

Baía (Retirado - director de Relações Externas do FCPorto)
Seitaridis (Panathinaikos)
Jorge Costa (Retirado - treinador do Olhanense)
Pedro Emanuel (Retirado - treinador dos Sub-17 do FCPorto)
Ricardo Costa (Wolfsburgo)
Costinha (Atalanta)
Diego (Juventus)
Maniche (Colónia)
Luís Fabiano (Sevilha)
Derlei (Esporte Clube Vitória)
McCarthy (Blackburn Rovers)

Suplentes utilizados:

Nuno Espírito Santo (FC Porto)
Ricardo Quaresma (Inter de Milão)
Carlos Alberto (Vasco da Gama)

Suplentes não utilizados:

Areias (sem clube)
Bosingwa (Chelsea)
César Peixoto (Benfica)
Hélder Postiga (Sporting)

domingo, dezembro 06, 2009

V.Guimarães 1 x 4 FC Porto - Exibição de garra valeu vitória


O FCPorto conseguiu um excelente resultado, talvez desproporcionado face ao que aconteceu em campo, frente a um Vitória de Guimarães em pico de forma e fortemente moralizado pelos resultados recentes. Na retina, apesar de alguma tremideira em determinado momento, fica uma exibição marcada pela eficácia, pelo jogo colectivo e pela subida de forma de alguns jogadores fundamental.

Confirmaram-se os sinais de retoma que tinham ficado no ar após o jogo contra o Rio Ave, em que o FCPorto ganhara pela margem mínima, mas criara um volume de jogo ofensivo extremamente interessante quando comparado com os 4 jogos anteriores.

Com uma entrada forte em jogo, a equipa tomou conta das operações durante a primeira meia hora, pressionando alto e recuperando muitas vezes a bola em zona de ataque o que possibilitou a criação de mais oportunidades de golo e manteve o Vitória em sentido, evitando que os minhotos conseguissem organizar o seu jogo e ameaçar a baliza do regressado Helton.

No entanto, há também um pormenor de índole táctica que melhorou e muito o rendimento do FCPorto que foi a inclusão de Varela em detrimento de Hulk, mantendo Belluschi como nº8. O argentino e o português foram dividindo entre si as tarefas de cobertura do flanco direito e se Belluschi conseguia ter mais espaço para se soltar para o ataque, já Varela ajudava a dar profundidade àquele flanco. Aliás, o facto de o FCPorto ter (finalmente) capacidade para explorar de forma idêntica ambos os flancos, com Pereira e Rodriguez muito activos na esquerda e Varela e Fucile no lado oposto, ajudou a desestabilizar a defesa vitoriana, criando muitos espaços sobretudo entre os centrais e os laterais contrários.

Quando o FCPorto chegou finalmente ao golo, já merecia estar a vencer por 1 ou 2 golos após vários falhanços (Falcao à barra e Nilson a mostrar-se como sempre fortíssimo entre postes). O segundo golo pode também vir a ser muito importante para o FCPorto no contexto da época, ao ser apontado por Falcao que vinha tendo algum azar e acusava falta de confiança apesar de sempre muito solidário com a equipa.

No entanto, num jogo que parecia resolvido, uma desatenção de Belluschi por excesso de confiança veio complicar tudo. Fernando foi obrigado a recorrer à falta e viu amarelo e, na marcação do livre, Andrezinho fez um grande golo para o Vitória.

Como se esperava, a segunda parte trouxe um Vitória objectivo, deliberadamente a jogar ao ataque sempre conduzido pelo renascido Nuno Assis que no entanto só não foi expulso por cotovelada em Belluschi provavelmente por não se chamar Ricardo Quaresma. Belluschi também já não tinha frescura física (ainda está a crescer nesse aspecto) para dar luta aos médios vitorianos e por isso Jesualdo esteve bem ao substituir o argentino por Guarín que veio dar novamente alma à equipa e, em duas situações muito semelhantes, proporcionou a Nilson duas enormes defesas a remates fora da área. O oportuno 3º golo, mais uma vez resultante de um livre marcado por Raul Meireles, também veio serenar a equipa que precisa ainda de trabalhar a sua capacidade mental para suportar fases mais complicadas de jogo.

Bruno Alves, verdadeiro líder em campo, escapou à marcação e atirou fora do alcance de Nilson. A partir daí o FCPorto jogou mais tranquilamente e apesar de 2 sobressaltos, foi ainda capaz de marcar o 4º golo por Rodriguez, arrumando de vez a questão num jogo cujo resultado me parece excessivo perante o que se passou em campo.


Bons sinais:

Rodriguez - Está a subir de rendimento, fruto de um crescendo de forma física e promete finalmente construir com Pereira uma ala esquerda temível. Foi importante na luta a meio campo e nunca se escondeu do jogo, procurando sempre a bola. O seu golo foi um justo prémio para um exibição voluntariosa de um grande jogador.

Varela - Como se previa, pela segunda vez na mesma época, vem afirmar-se como um grande reforço para o FCPorto. A forma objectiva como procura a linha sendo no entanto também capaz de fazer diagonais para o centro, ajuda a dar amplitude e imprevisibilidade ao jogo azul e branco. Marcou um grande golo, poderia ter marcado mais, e foi sempre importante para ajudar a estancar o jogo adversário no seu flanco apesar de na segunda parte ter perdido o seu fulgor físico. Grande jogador este que, a continuar assim, tem toda a legitimidade para se candidatar a um bilhete para a África do Sul.

Falcao - Um ponta-de-lança vive de golos e quando eles não surgem, intranquiliza-se, joga sobre brasas, as coisas parecem sair cada vez pior. Nunca tendo deixado de ser voluntarioso, Falcao já não marcava há vários jogos e o penalty falhado contra o Rio Ave foi motivo para que a imprensa, que já o caracterizou de ganancioso para logo a seguir o levar aos píncaros, logo questionar a sua titularidade. Se o remate à barra e a defesa de Nilson evitaram que o colombiano facturasse e vieram novamente fazer temer mais do mesmo, já o golo que finalmente conseguiu, pleno de oportunidade, veio confirmar o que se sabe do colombiano: tem killer instinct e só precisa de confiança. Os golos, com ou sem penalties, irão inevitavelmente aparecer.



Maus sinais

Hulk - continua a sua travessia do deserto. Desta vez Jesualdo aprendeu a lição e não o colocou na ala direita, situação que foi fatal no jogo contra o Chelsea. O brasileiro ainda mostrou um ou dois pormenores interessantes mas depois resolveu começar a inventar e perdeu-se em letras e fintas. Há realmente internacionalizações que sobem à cabeça. Em Madrid deverá começar novamente no banco.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Quaresma de regresso? Não brinquem com coisas sérias

Foi notícia em Itália a alegada possibilidade do regresso de Ricardo Quaresma ao FCPorto na reabertura do mercado em Janeiro. Aliás, segundo a imprensa europeia, Ricardo Quaresma parece um jogador do Benfica de tantas equipas que todos os dias procuram assegurar o seu concurso, mas este suposto interesse do FCPorto só pode ser para rir.

Em primeiro lugar todos se recordam do contexto muito particular da saída o extremo para o Inter, constantemente assobiado e não se cansando de declarar aos 4 ventos que queria ir para um clube de topo do futebol Europeu. A própria relação entre Quaresma e Jesualdo já não era exemplar e, conhecendo as dificuldades do professor em "domar" certos feitios, dificilmente o treinador quereria o jogador de volta.

Finalmente, para entrar Quaresma, quem sairia? Rodriguez ou Varela (este bem poderia emprestar a sua força de vontade ao cigano)? Hulk? De Mariano não falo pois trata-se de um indiscutível, uma espécie de "Jesualdo's Baby".

Contudo, como nisto do futebol (já dizia o outro) "o que hoje é verdade amanhã é mentira", seria para mim uma grande desilusão ver o regresso da ex-futura super-estrela do futebol português.

Adiante.


sexta-feira, agosto 28, 2009

Liga dos Campeões - Analisando os adversários (actualizado)

Chelsea Football Club

Os "Blues" dispensam apresentações, sendo sem dúvida a equipa mais forte do grupo, natural candidato ao 1º lugar, e um crónico assumido candidato à vitória na prova, tendo sido finalista vencido na época 2007/2008.

Com um orçamento anual suportado pelo caprichoso multimilionário Roman Abramovich, o clube fez a contratação mais sonante na figura de Carlo Ancelotti, o experiente treinador italiano até à época passada treinador do Milan, clube ao serviço do qual conquistou um Campeonato Mundial de Clubes, duas Ligas dos Campeões, duas Supertaças Europeias, um Campeonato de Itália, uma Taça de Itália e uma Supertaça de Itália, isto em 8 épocas. Ao chegar a Londres, Ancelotti não perdeu a senda ganhadora, tendo já esta época conquistado uma Supertaça de Inglaterra.

A equipa galáctica mantém-se e conta como vitórias os jogos disputados até agora na presente época, tendo a aliança da fantasia e a explosividade dos seus jogadores sido adaptados com êxito ao serviço da forte táctica da escola italiana trazida por Ancelotti.

Por sectores:
Baliza: Aqui, incontestavelmente continua o checo Petr Cech, um dos melhores guarda-redes do Mundo, extremamente forte entre os postes e com excelentes reflexos mas que ocasionalmente tem tendência para largar algumas bolas, causando alguns calafrios, sem que no entanto isso seja capaz de beliscar o seu estatuto. Tendo vencido por três vezes o prémio de melhor guarda-redes da Liga dos Campeões e por três vezes o prémio de melhor guarda-redes da Europa, é legítimo dizer que a força da equipa londrina começa indiscutivelmente na baliza.

Defesa: Bosingwa, Ricardo Carvalho, John Terry e Ashley Cole, com eventualmente Ivanovic e Alex à espreita, é este o quarteto defensivo que o ataque do FCPorto terá de defrontar. Possui uma dupla de centrais muito sólida, capaz ainda de fazer a diferença no ataque em lances de bola parada, e dois defesas laterais que apoiam bastante o ataque (quem não se recorda de Bosingwa?). Esta última característica poderá no entanto ser explorada pelo FCPorto se conseguir bascular a equipa de modo a aproveitar os espaços vazios nas costas dos defesas. Será um desafio enorme para Rodriguez, Hulk e Falcao.

Meio-campo: Com o pêndulo Obi Mikel, suportando a dinâmica de Malouda e Essien, aos quais se junta o cerebral futebol de Lampard, o meio campo do Chelsea é um dos mais consistentes do futebol moderno. Conta ainda com as opções de luxo Deco e Ballack, num filão inesgotável de fantasia e objectividade na hora de servir os avançados. Para este quarteto, o FCPorto não poderá alinhar apenas com 3 homens de meio campo pois será fatal arriscar a inferioridade numérica nesta zona vital do terreno. Para o primeiro jogo em Londres, Jesualdo deverá apostar em Rodriguez, Meireles, Fernando e Tomás Costa, este em detrimento de Belluschi.

Ataque: O ataque do Chelsea está assente em duas unidades: Drogba, o verdadeiro motor e um dos melhores avançados do planeta, ao lado de Anelka, também ele goleador mas mais amorfo do que o companheiro e, como tal, mais fácil de marcar. A defesa do FCPorto terá de estar extremamente concentrada pois qualquer deslize pode ser fatal.


A eliminatória

O FCPorto começa a fase de grupos em Londres, no jogo à partida mais difícil da série. Será um duríssimo teste numa altura em que Jesualdo ainda não terá conseguido refinar os automatismos pretendidos. Stamford Bridge à partida será o terreno mais improvável para pontuar mas, se pensarmos no exemplo de Old Trafford, tudo é possível. Contudo este jogo, de boa memória, aconteceu no ano passado numa fase mais avançada da época e estamos todos ainda recordados do que sucedeu quando o FCPorto teve de ir jogar a Londres com o Arsenal há um ano atrás, quando tentava ainda esquecer a saída de Bosingwa, Quaresma e Paulo Assunção.

Esta será a terceira ocasião em que o FCPorto defronta o Chelsea na Liga dos Campeões. Dos confrontos anteriores sobressai a supremacia dos londrinos em casa e uma maior dificuldade destes nas deslocações ao Dragão.

2006/2007 - Oitavos de final
FCPorto 1 - 1 Chelsea (Raul Meireles 1-0)
Chelsea 2 - 1 FCPorto (Quaresma 0-1)

2004/2005 - Fase de Grupos
Chelsea 3 - 1 FCPorto (McCarthy 3-1)
FCPorto 2 - 1 Chelsea (Diego 1-1, McCarthy 2-1) -vídeo 1- vídeo 2

Daqui se tira que se o Chelsea nunca conseguiu derrotar o FCPorto no Dragão (O FCPorto nunca tinha perdido com equipas inglesas até ao ano passado com o Man Utd), também o FCPorto nunca conseguiu melhor que uma derrota em Londres embora, em 2007 tivesse estado perto de causar sensação. Contudo, um erro de Helton e a diferença de soluções nos bancos, acabaram por ditar a eliminação da prova.

Como será este ano?

Ultimas:
Drogba e Bosingwa, castigados pelos incidentes do jogo contra o Barcelona na época passada, não jogarão em Londres. (Obrigado OrgulhoAB pela chamada de atenção!).

Shevchenko já não é jogador do Chelsea, tendo-se transferido para o Dínamo de Kiev.


sexta-feira, agosto 21, 2009

O Incrível Sr. 100 Milhões

A notícia do dia é sem dúvida a extensão do contrato de Givanildo "Hulk" por mais duas épocas, terminando agora em 2014, com consequente revisão salarial e aumento da cláusula de rescisão para o valor recorde de 100 milhões de euros. É óbvio que uma cláusula de rescisão nem sempre implica a garantia do seu encaixe, dependendo sempre uma transferência da vontade do jogador e dos clubes envolvidos. Veja-se por exemplo o caso de Karim Benzema que, com uma cláusula de 100 milhões no Lyon, se transferiu para Madrid por 35 milhões, ou ainda o caso de Ricardo Quaresma que com um valor de 40 milhões, saiu por um valor global de 25 milhões, se incluirmos o valor de Pelé (de quem eu esperava muito mais).

Isto garante no entanto um bom encaixe financeiro ao FCPorto que, embora detenha apenas 50% do passe do jogador, assegura uma margem de lucro bem confortável.

Isto acontece numa altura em que o jogador tem estado nas bocas do Mundo, tanto pelas suas exibições como pelos seus problemas disciplinares e se a transferência do jogador para outro clube fica deste modo limitada, é legítimo perguntar-se: Será que Hulk vale 100 milhões? A resposta: ainda não.

Givanildo, a.k.a. Hulk, tem actualmente 23 anos, estando ainda em plena fase de amadurecimento. Técnica e tacticamente cresceu muito desde que chegou ao FCPorto, deixando de lado aquela individualidade irritante que mostrou no início da época passada e terminando a temporada a jogar mais em prol do colectivo (para sossego de Lisandro Lopez que muitas vezes perdeu a paciência com o brasileiro).

Hulk tem no entanto ainda graves problemas em lidar com o estatuto de estrela e isso viu-se na eliminatória da Champions com o Man Utd na temporada passada quando, após ter sido colocado na montra europeia pelo que fez contra o Atlético Madrid (clube que só passou a ser forte depois de este ano ter derrotado o Benfica e com apenas uma semana de trabalho nas pernas), se eclipsou subitamente. É certo que o facto de ter sido exposto pela opinião pública como grande jogador fez com que se perdesse o efeito surpresa e os adversários o passassem a vigiar de perto mas isso não explica tudo.

Por outro lado, Hulk abordou a temporada actual com um espírito muito quezilento, por vezes digno de uma "Prima Donna", isto após ter sido considerado pela generalidade da imprensa como a estrela maior do FCPorto na era pós Lucho Gonzalez e Lisandro Lopez.

É certo que Hulk deve ser neste momento o jogador que mais pancada leva dos adversários em Portugal, o que, aliado ao facto de ver constantemente serem-lhe assinaladas faltas no ataque só porque os adversários, com metade do peso do brasileiro ,são projectados ao tentarem fazer ombro a ombro com o jogador, é suficiente para que o jogador perca a paciência. Logo ele que tem uma personalidade temperamental e explosiva.

O resto já se lhe conhece: o jogador reclama constantemente com os árbitros, atitude que de nada serve a não ser para que os árbitros criem uma imagem negativa do jogador. Por outro lado, ao fazer isto, o jogador expõe-se demasiado ao critério disciplinar da arbitragem acabando por ser admoestado e, como aconteceu no jogo contra o Paços, expulso com consequente prejuízo para o colectivo e isto apesar de Bruno Alves e Raul Meireles, esses sim figuras maiores do FCPorto, terem conversado várias vezes com o jogador no sentido de o acalmar.


Hulk tem ainda de crescer muito para deixar de ser um jogador talentoso com mau feitio e passar a ser um verdadeiro craque. Só lhe falta para já a mentalidade para isso e esse será o trabalho que Jesualdo terá agora pela frente.

Esta renovação de contrato é por outro lado o estabelecer de uma meta por parte da SAD e, mais do que uma avaliação do valor do jogador, trata-se sim de uma precaução tendo em vista o que o jogador pode vir a valer porque, mais uma vez repito, Hulk não vale 100 milhões de euros. Está sim definida a meta de responsabilização que o jogador terá agora de procurar atingir, deixando de lado a mentalidade de menino refilão para se tornar o verdadeiro craque da Liga Portuguesa.

Como disse Benítez a Fernando Torres, após a recente derrota do Liverpool às mãos do Tottenham, a melhor forma que um avançado tem de responder às faltas e às provocações é com golos mas isto também já lhe deve ter sido transmitido por Jesualdo Ferreira e deverá ser interiorizado pelo jogador nas próximas duas jornadas de descanso de que vai usufruir.



terça-feira, maio 26, 2009

Gelsenkirchen, 26 de Maio de 2004

Foi a 26 de Maio de 2004, data que ficará para sempre gravada a letras de ouro na memória dos adeptos portistas, que o FCPorto conquistou em Gelsenkirchen o seu segundo título de campeão europeu.

Ao AufShalke Arena, nesse dia o palco máximo do futebol europeu, subiram os nomes que entraram para a eternidade do futebol português: Vitor Baía, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Deco (Pedro Emanuel 85'), Maniche, Carlos Alberto (Alenitchev 60'), Pedro Mendes e Derlei (McCarthy 78').

Cumpria-se assim a "profecia" de José Mourinho quando dissera, após a final de Sevilha, que havia sido "Inesquecível... mas não irrepetível!". Após a final, a equipa seria desmembrada, com Mourinho a partir para Londres levando consigo Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira, Deco a sair para Barcelona, Pedro Mendes para o Tottenham e, numa segunda "razia" Jorge Costa, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Carlos Alberto, Alenitchev, Pedro Mendes, Derlei e McCarthy.

A caminho estava outra equipa que daria a conhecer à Europa nomes como Pepe, Bosingwa, Quaresma, Raul Meireles, entre outros.

Fase de grupos:

O FCPorto estreou-se com um empate 1-1  no terreno do Partizan de Belgrado. Costinha aos 22' inaugurou o marcador mas, já na segunda parte e com o nosso inesquecível Drulovic em campo pelo lado dos sérvios, Delibasic restabeleceria a igualdade no marcador.

Na segunda jornada o FCPorto perdeu em casa, com o Real Madrid, por 1-3. Costinha voltaria a inaugurar o marcador logo aos 7' mas o Real Madrid faria valer os seus argumentos e ainda na primeira parte, daria a volta ao marcador por Helguera e Solari para, já no segundo tempo, ampliar a vantagem por Zidane. 

Após as duas primeiras jornadas, o futuro do FCPorto na prova parecia pouco promissor o que tornava o compromisso seguinte, no Estádio Vélodrome, num jogo decisivo. O Marselha havia perdido na primeira jornada em Madrid por 4-2, tendo vencido em seguida o Partizan em casa por 3-0 perfilando-se como co-candidato ao 2º lugar do grupo. Foi então que o FCPorto começou a mudar a história.

Em Marselha, num ambiente profundamente hostil, os franceses abriram o marcador por intermédio de Drogba (que dupla com o egípcio Mido!), logo aos 12' e ainda fizeram temer o pior mas, a partir daí, o FCPorto mostrou à Europa do que eram capazes os dragões de orgulho ferido. Em apenas 4 minutos (31' e 34'), Maniche e Derlei deram a volta ao marcador, cabendo a Alenitchev ampliar a vantagem aos 81'. Marlet ainda reduziria pouco depois mas o destino do jogo e do apuramento já estava definido e ainda mais ficou na segunda mão no Estádio das Antas, com o FCPorto a vencer novamente, desta vez por 1-0 e novamente por Alenitchev.


O apuramento seria confirmado na jornada seguinte com o FCPorto a receber e bater o Partizan por 2-1 com bis de McCarthy e, novamente, Delibasic a reduzir já no último minuto do tempo regulamentar.

Na última jornada, o FCPorto jogava em Madrid, sem grandes aspirações ao primeiro lugar apesar de estar apenas a 3 pontos dos madrilenhos tendo no entanto contra si o goal average. O jogo até começou mal pois Solari marcou logo aos 9' mas, ainda na primeira parte, o FCPorto chegaria ao empate por Derlei na marcação de um penalty. Costinha veria o cartão amarelo ficando suspenso e não podendo disputar o próximo jogo que seria a 1ª mão dos oitavos de final. 

Na altura, a aposta de Mourinho em Costinha para este jogo foi algo criticada pelo facto de o médio se encontrar à beira da suspensão por cartões amarelos e este ser um jogo no qual não se decidia nada a não ser a repartição de pontos. O Special One  foi taxatório afirmando que preferia contar com o Ministro na eventualidade de ter de recuperar de uma desvantagem no jogo da 2ª mão dos oitavos, do que poupá-lo neste jogo e arriscar-se a não o ter na 2ª mão. Esta decisão, à partida pouco relevante, seria no entanto decisiva para a conquista do título.

 

Oitavos de final: FCPorto x Man Utd: 2-1 e 1-1

Esta foi a eliminatória que pôs a Nação Azul e Branca a acreditar que o título era mais que uma miragem de um troféu destinado às grandes potências milionárias do futebol europeu. Após um primeiro jogo fantástico nas Antas onde um bis de McCarthy virou um resultado adverso de 0-1 com golo de Fortune, o FCPorto viajou para Old Trafford sentindo que tudo podia acontecer.

Em Manchester, um golo de Paul Scholes parecia fazer ruir os sonhos ainda mais quando o minuto 90 se aproximava implacavelmente. Mas o FCPorto não se rendeu, nem com a lesão de Jorge Costa ainda na primeira parte, e mostrou a um estádio incrédulo aquilo de que a sua crença imensa era capaz de alcançar, aquilo que faz do FCPorto uma equipa diferente, uma equipa de luta até ao fim.

Uma recarga de Costinha (sempre ele!) fez daquele minuto 90 um minuto lendário, destinado a ser recordado enquanto o FCPorto for o FCPorto. A imagem de Mourinho entrando no terreno para comemorar o golo com os seus jogadores, a festa destes junto aos adeptos, são como quadros em lugar de honra da galeria das memórias mais notáveis do futebol.

A partir daquele minuto 90 o clube, os adeptos, o país inteiro teve uma certeza que muitos não ousavam contudo confessar: o título era possível!





Quartos de final: FCPorto x Lyon: 2-0 e 2-2


Desta vez a sorte bafejara o FCPorto ao atribuir-lhe no sorteio o adversário que era então mais desejado: o Olympique Lyonnais isto apesar dos franceses contarem nas suas fileiras com nomes como Juninho, Coupet, Edmilson, Essien, Diarra, Malouda, Gouvou, Luyindula e Elber. Nas Antas, dois golos, um em cada parte, o primeiro de Deco e o segundo de Ricardo Carvalho, catapultaram o FCPorto para as meias finais, limitando-se a confirmar essa passagem na 2ª mão no De Gerland.

Naquela que foi a sua noite, Maniche abriu o marcador logo aos 6'. Mas o Lyon jogava o seu orgulho e aos 14' Luyindula restabeleceu a igualdade. Logo a abrir a 2ª parte Maniche deixava novamente a sua marca fazendo o 2-1 para o goleador Elber, já em cima do minuto 90, estabelecer o resultado final de 2-2.

Meias finais: FCPorto x Deportivo: 0-0 e 1-0

Depois de uma primeira mão polémica pelos equívocos de arbitragem e onde o FCPorto foi superior, o FCPorto entrava no Estádio Riazor com o mesmo espírito com que entrara um ano antes no Olímpico de Atenas. Um golo de Derlei de penalty, a castigar falta sobre Deco na grande área, repôs a justiça na eliminatória, guindando o FCPorto para a final perante um Deportivo impotente, com a curiosidade de ter tido um defesa central expulso em cada um dos jogos: osbem  conhecidos Jorge Andrade na 1ª mão e Naybet na 2ª mão.


Final: FCPorto x AS Monaco: 3-0


A 26 de Maio, ao contrário do que acontecera um ano antes, o FCPorto apresentou-se para disputar uma final europeia na máxima força. Desta vez, havia em todo o universo azul e branco uma sensação de confiança, distante do nervosismo do ano anterior. Perante um Monaco que eliminara sucessivamente o Lokomotiv de Moscovo, o Real Madrid e o Chelsea e que contava nas suas fileiras com Givet, Ibarra, Evra, Giuly, Rothen, Prso, Morientes e Nonda, o FCPorto foi mais forte, alcançando o título por que esperara 17 anos.

Depois de Gomes, Madjer, Celso, Mlynarczick, João Pinto, Lima Pereira, André, Futre, Juary, Jaime Magalhães, a Europa curvava-se a uma nova geração dourada do FCPorto.

O sentimento da final é difícil de descrever. Ficamos pois pela alegria do saudoso Jorge Perestrelo aos microfones da TSF quando Deco marcou o 2º e decisivo golo da final:

"Golo do Porto! Que bonito é! Que bonito! As bandeiras estão desfraldadas ao vento! Nós queremos agradecer aos deuses do futebol esta felicidade que nos enche a alma, que põe um país parado, um país emocionado! É golo do Porto!"