terça-feira, janeiro 12, 2010

FCPorto 3 x 2 U. Leiria - Como complicar o que é fácil até quase dar um tiro no próprio pé


Parece quase anacrónico dizer que ontem se assistiu a um dos jogos que mais emoção geraram nos adeptos portistas na corrente época e ao mesmo tempo referir que o FCPorto ia sofrendo a perda de pontos mais ridícula da época, mas foi o que aconteceu.


Com a equipa que se esperava, descontando a entrada do jovem Miguel Lopes para o lado direito da defesa devido a indisponibilidade de última hora de Fucile, o FCPorto entrou bem no jogo, com Belluschi a dar nas vistas, parecendo disposto a não facilitar contra um adversário que no regresso à I Liga tem sido uma das revelações da época, tendo inclusive conquistado recentemente 3 pontos em Alvalade. Contudo, quando logo aos 1o minutos, na marcação de um livre por Belluschi, o auxiliar de Elmano Santos invalidou um golo a Falcao por fora de jogo duvidoso, estava dado o mote para o que seria um chorrilho de asneiras e dualidade de critérios por parte da equipa de arbitragem.

A dinâmica que o FCPorto apresentou, sobretudo na primeira parte, foi extremamente interessante. Na esquerda Rodriguez, cheio de vontade de mostrar serviço, e Álvaro Pereira, davam água pela barba ao lado direito da equipa adversária, enquanto do outro lado, mesmo sem Miguel Lopes, ainda algo "preso" pela responsabilidade do seu 2º jogo oficial com a camisola do FCPorto, Varela também se mostrava embora de forma mais precipitada e menos objectiva do que o que tem sido habitual. Em suma, pareceu por momentos que o FCPorto estava em campo cumprindo aquilo que tinha sido pedido por Pinto da Costa: o título para Pedroto. Apesar do golo anulado, o FCPorto não abrandou o ritmo e, pouco depois, chegaria mesmo à vantagem por Falcao, beneficiando de uma sobra de um remate em esforço de Belluschi após jogada individual algo atabalhoada de Varela.


Infelizmente, quando se esperava que o FCPorto carregasse em busca do 2º golo, foi o Leiria quem marcou na sequência de um livre indirecto em que Helton fica muito mal na fotografia pela forma como abordou o lance (esperando quando devia ter saído) pois, a partir do
momento em que o jogador do Leiria conseguiu o desvio mesmo que subtil à frente do guarda-redes, este deixou de ter qualquer hipótese no golo. O PROBLEMA é que o marcador do golo do empate estava numa situação idêntica a Falcao, em relação aos defesas, no 1º golo anulado ao FCPorto. Se se poderia desculpar esta disparidade por ter sido avaliada por árbitros assistentes diferentes, o 2º golo anulado a Falcao, novamente por fora-de-jogo, sê-lo-ia por este mesmo juiz auxiliar. Mas as decisões incompreensíveis da equipa de arbitragem não se ficariam por aqui.



O golo do empate teve apesar de tudo o condão de despertar a equipa do FCPorto que se lançou novamente para o ataque e o 2º golo não tardou a surgir através de Bruno Alves num excelente cabeceamento na sequência de um canto. Quando Elmano Santos apitou para o intervalo, o estádio inteiro pensou que o golo do Leiria fora apenas um percalço e que a segunda parte traria o mesmo FCPorto dominador. Puro engano.

No primeiro lance digno de registo da 2ª parte, o Leiria chegou logo ao empate na sequência da marcação de um canto inexistente que resultou num remate forte de Ronny (que é como uma espécie de máquina de disparar bolas de ténis: não se mexe um metro que seja mas, desde que tenha a bola, faz estragos) desviado por Rodriguez o suficiente para não dar hipóteses a Helton.

Assim, contra a corrente de jogo, o FCPorto viu-se novamente empatado e Jesualdo não foi de modas, retirando Miguel Lopes e fazendo entrar Farías. Bastaram 4 minutos para que novamente o FCPorto se adiantasse no marcador, outra vez por intermédio de Falcao. Logo a seguir, Elmano Santos decidiu voltar a borrar a pintura com uma decisão incompreensível, expulsando o guarda-redes leiriense e deixando o FCPorto em superioridade numérica.

Incompreensivelmente, em vantagem e com mais um, o jogo portista tornou-se menos esclarecido e baixou de ritmo, isto apesar de Falcao ter proporcionado ao recém-entrado Hélder Godinho uma grande defesa após remate à meia volta e, pouco depois, ter visto mais um golo ser invalidade pelo árbitro por fora-de-jogo de Farías, outra vez em lance de dúvida.

Quando Jesualdo fez entrar Mariano e Tomás Costa para o lugar de Falcao e Belluschi respectivamente, pensou-se que a história do jogo estaria definida e que se iria assistir a um lento desfilar dos minutos que faltavam até que... Fernando decidiu borrar a pintura com duas faltas no espaço de 2 minutos, a fazerem valer a sua expulsão por duplo amarelo e com a segunda a valer grande penalidade.

Valeu que Helton conseguiu suster o remate de Ronny, segurando assim no limite os 3 pontos de uma vitória mais que merecida mas incompreensivelmente sofrida.

O elo mais fraco foi claramente Elmano Santos como rosto de um trio que acumulou asneiras atrás de asneiras e que, em lances de dúvida decidiu sempre contra o FCPorto, excepção feita ao lance da expulsão de Djuricic. A haver igualdade de critérios, a vitória portista teria sido por 3 ou 4 golos de diferença.


Entretanto...

Continuamos à espera do resultado do processo de Hulk e Sapunaru, castigados desde 22 de Dezembro. Estranha esta justiça, tão célere e branda numas paragens para ser tão lenta e restritiva noutras...

8 comentários:

Sete_Luas disse...

Continuo sem compreender certas opções táticas, continuo sem compreender certos erros defensivos, continuo sem compreender as falhas estúpidas consecutivas nos passes, continuo sem compreender a necessidade de sofrer até ao fim num jogo que foi, efectivamente, controlado pelo Porto do inicio ao fim. A dada altura olhar para as estatísticas do jogo era simplesmente rídiculo, o Porto com 10 remates à baliza contra os 2 do Leiria que, curiosamente, tinham resultado em golo....
Algúem me explica também, por favor, como é que um defesa do gabarito e experiência do Fernando me faz duas faltas seguidas assim tão infantis? Falta calma à equipa, estão a jogar com o coração e não com a cabeça e dá nisto, já vimos na luz o que dá este tipo de jogo e continuamos a faze-lo...
Quanto à arbitragem não vou falar naquilo que é óbvio para toda a gente, não vou queixar-me das diferenças de critério nem no golo anulado a Farias que não levanta duvidas a ninguém com dois olhos e com noção de "linha recta", vou simplesmente perguntar-me, mais uma vez, como certos e determinados jornalistas, conseguem fazer declarações do estilo: "Erros gritantes na arbitragem do encontro que favoreceram claramente o FCPorto" quando, à excepção da expulsão do guarda-redes, os erros de arbitragem com real influência no resultado foram claramente desfavoraveis ao FCP?
Enfim... é este o campeonato que temos...

Caetano disse...

Mas isto não é de agora, Luas. Temos assistido sistematicamente, desde há duas épocas a esta parte, a uma arbitragem que, em caso de dúvida, decide contra o FCPorto. Definitivamente a impunidade não mora no Dragão.

Sete_Luas disse...

Mas a fama sem o proveito é daquelas coisinhas que me tira do sério.... como diria o outro, que por acaso até é bem vermelho: "fico chateada, é claro que fico chateada...."

Gaspar disse...

O resultado acaba por não ser o melhor, pois merecíamos uma maior diferença de golos, mas temos os três pontos, que é o que interessa!
Destaque para Helton, e Falcao que "bizou".

Gaspar

Caetano disse...

Gaspar, é certo mas... será sina precisar de sofrer tanto?

Quanto aos destaques, concordo com o Falcao, o Helton (com ou sem fora-de-jogo) ficou muito mal na fotografia do 1º golo mas redimiu-se e passou a herói mas queria também acrescentar mais um: Raul Meireles. Está outra vez no topo!

Abraço

dragao vila pouca disse...

Triste sina a nossa...
Podiamos ter ganho tranquilamente, mas acabamos a ganhar na amarra e graças a um milagre de Helton. Será que esta equipa é masoquista e só sabe ganhar no sofrimento? Será que alguma vez vamos sair do Dragão com o coração a bater normalmente?
A exibição sem ser brilhante, teve virtudes: por exemplo, a reacção aos golos do empate do Leiria e os 5 golos limpos marcados, mas que lamentavelmente só valeram três e isso impediu a equipa de ter uma vantagem tranquila de dois golos. E defeitos: displicências que não se admitem, tremideiras que não se compreendem numa equipa tetracampeã.

Siga que este já está!
Parabens aos heróis que estiveram ontem no Dragão. É preciso gostar muito para aguentar tanto frio e tanto sofrimento, não é Luas?

No meu post o Colectivo teve destaque...

Um abraço

Sete_Luas disse...

Ponha coragem nisso, Dragãozito, é por este tipo de "condicionantes" que às vezes acho que os prémios de jogo deviam ir para a assistência e não para os jogadores. :D

Vou já dar um saltinho lá que esta semana ainda não tive oportunidade. :)

bimbo da costa disse...

Uma vergonha com o leiria e outra pior hoje em coimbra...