
Se dúvidas houvesse, o jogo do último Sábado serviu para afirmar inequivocamente o FC Porto e o Sporting de Braga como as duas melhores equipas portuguesas do momento e, ao mesmo tempo, contra todas as expectativas criadas em torno de um bicampeão anunciado, demonstrar que o FCPorto reencontrou a dinâmica que fez de si a referência maior do futebol português sem teias de aranha.
O jogo era sem dúvida cabeça de cartaz da 4ª jornada já que o vencedor garantia o 1º lugar da classificação. Tratava-se também do 2º grande teste da época, depois da vitória "sem espinhas" na Supertaça, diante de um adversário que vinha de uma estrondosa vitória em Sevilha, onde conseguira a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Ingredientes mais que suficientes para justificar um Estádio do Dragão praticamente lotado (47.617 espectadores).
O jogo começou com um ascendente do Braga, mais pressionante e agressivo sobre a bola, fiel às ideias lançadas pelo seu treinador na antevisão do jogo apesar de não criar situações claras de golo. O FCPorto por seu turno apresenta um ritmo algo lento, pontuado por passes errados (neste particular Rolando destacou-se com passes incompreensíveis). Com o jogo algo bloqueado tacticamente, acabou por ser um lance de bola parada a fazer a diferença. Luís Aguiar (que ao contrário do que o Record afirmou não foi oferecido a custo zero ao Braga mas sim Alan) na marcação de um livre, atirou do meio da rua sem hipóteses para Helton fazendo um grande golo.
O FCPorto pareceu finalmente despertar com o golo do Braga e a primeira ameaça surgiu por intermédio daquele que seria a grande figura da noite com Hulk a atirar à barra da baliza defendida por Felipe na marcação irrepreensível de um livre. Foi curioso verificar que Villas-Boas começou por colocar Hulk à esquerda e Varela à direita, ambos com pouco apoio por parte dos defesas laterais. A partir do momento em que trocaram de posição e Hulk passou para a direita, passando a ser marcado por Elderson, verdadeiramente o elo mais fraco da defesa bracarense, o jogo começou a pender mais claramente para o FCPorto.
O empate surgiria à passagem da meia hora, com Hulk a deixar Elderson "nas covas" e a fazer um cruzamento perfeito para Varela marcar o golo que "acordou" o Estádio do Dragão.
Após o intervalo, tristemente marcado por actos que em nada engrandecem o FCPorto mas que abordarei adiante, tudo levava a crer que os dragões, à semelhança do que tem acontecido nos últimos jogos, voltassem melhores (nitidamente dedo de Villas-Boas). Contudo, acabou por ser o Braga a marcar novamente com um golaço de Lima, aparentemente talhado para marcar ao FCPorto.
Na época passada a história do jogo terminaria aqui, talvez até mesmo tivesse já terminado ao quarto de hora com o golo de Aguiar, mas este não é o FCPorto do ano passado. Este é um FCPorto que sabe o que quer, que tem ambição, que não se descontrola nem se conforma perante a adversidade. Nesta altura, disse a quem se encontrava ao meu lado que, se o FCPorto quisesse efectivamente ser campeão então iria ganhar este jogo e foi o que aconteceu.
Sem dar muito tempo aos festejos, num lance de inconformismo, Hulk levou a bola para o ataque, combinou com Álvaro Pereira que apareceu na área(!!) e serviu magistralmente o brasileiro com um toque de calcanhar e este, contando ainda com a atrapalhação de Elderson, que se estatelou ao comprido, fuzilou Felipe para o 2-2. Domingos mostrou a sua irritação e retirou de imediato o defesa-esquerdo, fazendo entrar Miguel Garcia que foi para a direita por troca com Sílvio que veio para a esquerda para tentar estancar a avalanche chamada Hulk.
Ora, o calcanhar de Aquiles do Braga reside este ano no facto de apenas ter um defesa lateral de grande nível que é Sílvio e, ao procurar tapar o lado esquerdo, Domingos acabou por aliviar a pressão sobre Varela que, pouco depois faria o 3-2 após uma grande jogada de Falcao que entrou na área partindo da esquerda e levando consigo Miguel Garcia e Vandinho, a bola no ressalto após um corte do português sobrou para Varela que, na passada, atirou uma "bomba" para a baliza bracarense e ali sentenciou o jogo.
Até ao final assistiu-se a uma exibição personalizada do FCPorto que soube gerir bem a posse de bola e a uma imagem de enorme sacrifício de Hulk que, em grandes dificuldades físicas, só com vontade férrea, a mesma que foi imagem deste FCPorto durante o jogo, resistiu até ao apito final.
Para a história fica o resultado e a memória de um fantástico jogo de futebol que merecia, este sim, ter tido prolongamento. Segue-se agora a recepção ao Rapid de Viena na estreia na fase de grupos da Liga Europa.
As bolas de golfe
Há atitudes que sendo injustificadas e descabidas acabam por resultar no denegrir da generalidade em função do gesto de um punhado. Aquele acto infeliz de atirar bolas de golfe em nada edifica a imagem do FCPorto e dos seus adeptos e só mostra que há quem, definitivamente, esteja a assistir a um jogo de futebol por puro equívoco. Que tal poupar o dinheiro da aquisição do próximo lote de bolas e dá-lo como contribuição para pagar a multa à Liga?