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quinta-feira, janeiro 21, 2016

José Peseiro, treinador mas não milagreiro


Chegou a hora de José Peseiro. O técnico português foi hoje oficialmente apresentado treinador da equipa principal de futebol para os próximos 18 meses, cabendo-lhe para já a árdua tarefa de completar uma época que está bem longe de corresponder às expectativas dos adeptos e dirigentes do F.C.Porto.

Esta não é uma escolha consensual. Trata-se de um treinador com um currículo curto em termos de títulos e cuja carreira ficou manchada pela "quase vitória" do Sporting na final da Taça UEFA de 2005. É no entanto algo injusto para o técnico que, para chegar à final e depois de passar a fase de grupos, eliminou o Feyenoord, o Middlesbrough, o Newcastle e o AZ Alkmaar de Co Adriaanse (cuja performance levou a que o técnico holandês chegasse ao Porto na época seguinte), antes de perder a final contra uma equipa que já tinha eliminado o Benfica. 

Trata-se também de um técnico que, pegando na equipa na 2ª Divisão, trouxe o Nacional para o campeonato principal do futebol português e também de um técnico que, na sua curta passagem pela cidade dos arcebispos, conquistou a Taça da Liga ao serviço do Braga. Tanto na Madeira como em Braga e até no Sporting, Peseiro pôs as suas equipas a praticar um futebol interessante e não o consideramos um mau treinador.

O problema poderá estar no timming da sua chegada ao Porto e na tarefa hercúlea que o espera. O plantel que o espera não foi escolhido por si e foi destinado a um estilo de futebol radicalmente diferente daquele que o técnico prefere. Vai encontrar um conjunto de jogadores nervosos e até alguns desmotivados, um balneário com poucas referências e vai ter de gerir a equipa nas 3 frentes em que ainda compete.

Será pois um erro colossal colocar também o treinador sob pressão ao exigir grandes brilharetes já este ano. Com o fosso a cavar-se para o duo da frente no Campeonato, e sabendo nós que chicotadas raramente resultam em campeonatos, com uma liga Europa muito competitiva, estando já o Dortmund à espera do F.C.Porto, a Taça de Portugal afigura-se como o único troféu ao qual o Porto é claramente candidato.

Têm agora a palavra os jogadores. Para já, resta-nos dar as boas vindas a José Peseiro e desejar-lhe boa sorte.

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Famalicão 1 x 0 F.C.Porto - Não podíamos ter jogado com a equipa B?


23 anos depois, Mauro sucedeu a Vieira como besta negra famalicense nos pesadelos dos adeptos do F.C.Porto. Os dragões deram hoje mais uma vez uma pálida imagem de si próprios e raras foram as vezes em que foram capazes de se acercar com perigo da baliza do Famalicão. Cá atrás, desta vez foi Helton a facilitar e a permitir um golo, confirmando-se de forma precoce o afastamento da Taça da Liga.
 
Para o último jogo como treinador interino, Rui Barros optou por rodar jogadores menos utilizados e dar uma hipótese aos jogadores da equipa B. Outro factor relevante foi a estreia do avançado Suk com a camisola do F.C.Porto. Ora foram precisamente os jovens da B (onde incluo André Silva) e Suk os melhores em campo, pelo simples facto de terem suado generosamente a camisola. De resto, ver jogar este Porto, foi um exercício de dor em câmara lenta.
 
Num terreno muito irregular, o F.C.Porto foi mais uma vez dominador sem ser perigoso. De que vale a pena ter a posse de bola se não for para procurar o golo? O Famalicão resguardou-se e esperou pelo desenrolar dos acontecimentos, sabendo de antemão que se o marcador ficasse a zero, o Porto se iria intranquilizar e depois... quem sabe não haveria um golpe de sorte?
 
Quando se chegou ao intervalo, os lances de maior perigo até então tinham sido criados por André Silva em rasgos individuais, tendo num deles servido Suk que atirou para defesa atenta do guarda-redes contrário.
 
Na segunda parte, a toada não se alterou até que surgiu o golo do Famalicão e a partir daí o jogo mudou. O Porto deixou de ter critério, os jogadores começaram a falhar passes e o Famalicão começou a gerir o tempo, como aliás lhe competia. As alterações de Rui Barros, trocando um desastrado Rúben Neves, um apático Imbula e, mais tarde, um esgotado André Silva por Corona, Francisco Ramos e Ismael, respectivamente, ainda espevitaram um pouco as coisas mas sem resultados práticos.
 
Corona agitou um pouco o jogo, Francisco Ramos foi guerreiro e Ismael teve poucas hipóteses. Com um Jose Angel a continuar a persistir na sua piada privada de fazer cruzamentos que colocavam em risco a Estação Espacial Internacional, Varela pouco esclarecido e o meio campo sem produção, o jogo acabou por chegar ao fim com o golo solitário de Mauro a dar a vitória do Famalicão, apesar de, por duas vezes, novamente Suk ter estado perto do golo, tendo mesmo atirado à barra.
 
Está confirmada a eliminação do Porto da Taça da Liga que se antevia desde a derrota com o Marítimo no Dragão e cai o pano sobre o período de transição liderado por Rui Barros, saldando-se por duas vitórias, ambas frente ao Boavista (5-0 e 1-0) e duas derrotas por números iguais, frente a Guimarães e Famalicão (0-1).
 
Começa agora um novo ciclo mas será errado esperar milagres.
 

segunda-feira, janeiro 18, 2016

Vitória SC 1 x 0 F.C.Porto - Alguém pode falar em surpresa?



Depois da saída do treinador com quem os jogadores, ao que parece, já não se davam, depois de uma vitória gorda na última jornada, depois de um apuramento para as meias-finais da taça à custa de muito sofrimento e com um final quase épico e depois de um surpreendente Tondela conseguir ir a Alvalade roubar pontos ao 1º classificado, o F.C.Porto tinha motivação mais que suficiente para lutar pelos 3 pontos em Guimarães. Acabou por perder e ninguém ficou surpreendido.

Depois do jogo de ontem, creio que muitos dos que defendiam a continuidade de Rui Barros como técnico pensarão agora duas vezes. "Il piccolo" é de facto um grande portista mas está (ainda) longe de ser um treinador de alto nível, principalmente o treinador de que o Porto precisa neste momento.

Como se não bastasse a falta produtividade do colectivo, ontem tivemos direito a mais um erro grave de Casillas, erro esse que provou ser fatal. O excesso de confiança foi fatal ao "portero" e de forma desastrada colocou a bola nos pés do avançado vimaranense que não desperdiçou. Em condições normais, com um Porto "à Porto", um golo sofrido aos 3 ou 4 minutos de jogo seria apenas um pormenor, nada que a equipa não fosse capaz de resolver. 

Para este Porto tristonho, sem ideias nem motivação, aquele golo foi uma montanha impossível de escalar. Sem intensidade, sem profundidade e sem ideias, o F.C.Porto não conseguiu ultrapassar que o Vitória de Sérgio Conceição ergueu para defender com unhas e dentes a vantagem caída do céu.

As opções do banco também não foram as melhores e o F.C.Porto nem sequer pôde contar com um daqueles rasgos individuais que de quando em vez ajudavam a remediar o falhanço colectivo.

No final, tivemos direito a mais uma demonstração de protagonismo do árbitro que decidiu expulsar Aboubakar mostrando-lhe um manifestamente exagerado 2º cartão amarelo, por um corte com a mão. Nas imagens vê-se que o jogador não tem hipótese de retirar a mão, embora tente, dada a proximidade a que a bola é jogada pelo atleta do Vitória. Mais do mesmo.


O ensurdecedor silêncio

É difícil perceber o que vai na cabeça de quem tem responsabilidade no F.C.Porto. Ninguém da Direcção dá a cara no momento em que a liderança mais se torna necessária e os adeptos e sócios, a não ser pelos bitaites do Dragões Diário, não recebem nenhuma informação do clube.

Um clube sem sócios e uma equipa sem adeptos nada são e o F.C.Porto tem-se votado a um alheamento das bases que é difícil de compreender, sobretudo quando foi graças à militância e à resiliência que os dragões se fizeram grandes. Muito distante desta postura distante e silenciosa, que chega a ter ares de soberba arrogância.

Por muito gratos que estejam pelas conquistas do passado, como podem os adeptos ter paciência e compreensão nestes momentos.

Tem a palavra a Direcção (afirmação retórica).


Sérgio Conceição

Uma nota sobre Sérgio Conceição. Tenho por este rapaz uma grande admiração porque foi alguém que comeu o pão que o diabo amassou. Ficou órfão cedo e chegou a trabalhar na construção civil para sustentar a sua família. O mérito de quem fez uma carreira a pulso não fica esmorecido pelo seu mau feitio mas o que sobressai acima de tudo é o lado sério e profissional do actual técnico vitoriano.

Sérgio Conceição não merecia a campanha posta a circular na semana antes do jogo (de onde terá vindo?) nem o coro de vozes maldizentes dos "paineleiros" da nossa praça que puseram em causa o seu brio e profissionalismo.

sábado, janeiro 16, 2016

Suk Hyun-jun - Analisando o último reforço do F.C.Porto à lupa



Já vinha sendo falada nos últimos tempos mas só ontem foi em definitivo oficializada a contratação: o último reforço do FCPorto é Suk Hyun-jun e, independentemente do seu rendimento desportivo, já assegurou um lugar na história ao tornar-se o primeiro sul-coreano a vestir a camisola dos dragões. O jogador, que actuava até agora no Vitória de Setúbal, veio colmatar a vaga aberta no ataque do F.C.Porto após o falhanço que da contratação da "estrela de rock" Pablo Osvaldo. Os números da transferência não são conhecidos, fala-se em 1,5M de euros, e o jogador fica com uma cláusula de rescisão de 30M de euros.

Com o avançado titular Aboubakar a acusar falta de confiança e com o promovido André Silva a mostrar que ainda tem de amadurecer mais para ser uma alternativa fiável, isto apesar da sua inegável qualidade técnica, era necessário arranjar uma alternativa para o ataque. Não esqueçamos também que o F.C.Porto ainda se bate em 3 frentes: Campeonato, Liga Europa e Taça de Portugal (a Taça da Liga será já para esquecer) e ter apenas um avançado experiente para o ataque era manifestamente curto.

A questão que é agora legítimo colocar é: será Suk uma boa alternativa? Uma rápida análise das opiniões mostra uma clara divisão. Domingos Paciência, um dos melhores avançados que vi jogar de azul e branco afirmou há tempos que Suk não tem nível para o F.C.Porto. Será mesmo?


Uma carreira sem grande brilho

Suk estava a viver no Vitória de Setúbal o ano mais produtivo da sua carreira, com 11 golos em 20 jogos pelos sadinos. Os números registados até então tinham sido relativamente modestos.



Suk Hyun-jun chegou à Europa em 2009/10 por intermédio do Ajax, numa dupla aposta do clube holandês no mercado sul-coreano já que com Suk chegou também Son Heung-min. Os dois jovens jogadores acabaram por ter carreiras diferentes, já que Son evoluiu e actualmente actua no Tottenham, depois de uma carreira de sucesso na Bundesliga, enquanto Suk nunca conseguiu brilhar.

Foi cedido ao Groningen onde, em 28 jogos apenas registou 5 golos e já com a época de 2012/13 em curso, chegou ao campeonato português para representar o Marítimo, apontando 4 golos em 14 jogos. Na temporada seguinte rumou ao Al-Ahli da Arábia Saudita, naquilo que muitos preconizaram como o fim da aventura europeia do jogador. Depois de uma época modesta (14 jogos/2 golos), acabou contudo por regressar a Portugal e novamente à Madeira, para representar o Nacional, registando 5 golos em 19 jogos.

Daí chegou finalmente ao Vitória de Setúbal, clube onde finalmente conseguiu alguma estabilidade para alcançar um rendimento mais interessante para a posição que ocupa no terreno, com 5 golos em 21 jogos na primeira época e 11 golos em 20 jogos na época actualmente em curso. O rendimento entretanto apresentado acabou por lhe valer o regresso às convocatórias da selecção do seu país, onde já apontou 2 golos em 5 jogos na qualificação para o Campeonato do Mundo 2018.

A transferência de Suk para o F.C.Porto surge portanto como o ponto mais alto da carreira do jogador.

Impacto na Coreia do Sul

A comunicação social sul-coreana deu algum destaque a esta transferência. O Korea Times, por exemplo, destaca a importância do F.C.Porto, descrito como um dos grandes clubes europeus e uma verdadeira "fábrica de futebol", pelas estrelas que produz. O Donga é mais comedido na descrição da notícia mas titula-a como uma transferência de grande prestígio para o jogador. O Chosun lança o debate à volta do número que o jogador irá utilizar, referindo a hipótese de usar o que era de Pablo Osvaldo, e enumera as estrelas actualmente no plantel do F.C.Porto.

Independentemente do teor das notícias e da produção que Suk venha a ter, uma coisa é já certa: embora não traga "charters de coreanos" a Portugal, esta transferência vem dar visibilidade à marca F.C.Porto no Sudeste asiático


Um jogador com características diferentes

Suk não é propriamente um primor de técnica mas é alto (1,90m) e possante e também possui um remate fortíssimo o que o torna capaz de marcar golos como este, aos 49 segundos deste vídeo:


Não havendo avançados capazes de fazer a diferença e a preço da uva mijona, devemos encarar esta aposta do F.C.Porto como uma aposta num jogador experiente, que pode ser uma alternativa útil a Aboubakar em muitos dos jogos da actual temporada e que possa trazer algo mais à equipa a partir do banco em momentos em que seja necessário jogar deliberadamente ao ataque. Não confundindo os dois jogadores, será uma aposta ao nível da que foi feita no austríaco Mark Janko.

Não sei se o jogador vai vingar ou não mas uma coisa é certa: será tremendamente errado exigir-lhe desde o início o céu e a terra, principalmente com o actual contexto de intranquilidade pós-Lopetegui. No mínimo merece o beneficio da dúvida. 

Para já, num discurso humilde, o jogador manifestou-se maravilhado pela oportunidade e afirmou que irá fazer tudo para justificar a aposta. É um bom começo.

Seja muito bem-vindo Sr Suk Hyun-jun

terça-feira, janeiro 12, 2016

Boavista 0 x 5 FC Porto - 5 chicotadas no Bessa


Depois de um início de ano conturbado que culminou na saída do treinador, havia muitas interrogações em torno da resposta que a equipa iria dar no jogo de ontem contra o Boavista mas as dúvidas foram dissipadas e em grande estilo, com 5 golos sem resposta num terreno nada fácil pela muita chuva que caiu.

É certo que as coisas não mudam do dia para a noite e estamos ainda numa fase transitória, enquanto aguardamos pelo anúncio e chegada do novo treinador principal, mas houve diferenças entre este e o último jogo que saltaram à vista, sobretudo porque os mesmo 11 jogadores tiveram em campo uma atitude bem diferente em relação à última jornada.

Se os jogadores se sentiram feridos no seu orgulho e quiseram provar que valem mais do que aquilo que mostraram nos últimos jogos ou se Rui Barros soube passar melhor a mensagem, ele como líder e velha glória do FCPorto sabe bem o que é a mística azul e branca, o que é certo é que foi possível ver muitas diferenças entre este jogo do Bessa e os dois últimos.



Desde logo a maior verticalidade do jogo portista, com os jogadores a procurarem soltar a bola mais rapidamente e para a frente, contrariando a tendência de passe para o lado e para trás que vinha sendo uma irritante imagem de marca. Ao acelerar o jogo, recuperando as transições rápidas que pareciam ter sido esquecidas, é possível aproveitar muito melhor as qualidades de jogadores como Herrera, Corona e Brahimi, já que são velozes com a bola, sobretudo os dois primeiros, e com o espaço extra que se abre, ao não darem menos tempo à defesa adversária para se recompor, tornam-se muito mais perigosos.

Outra diferença que saltou à vista foi a quantidade de jogadores que apareciam em zona de finalização. Não estando sozinho na frente, Aboubakar já não é presa fácil para a defesa adversária, sendo-lhe mais fácil fugir à marcação e aparecer em zona de decisão. Nota-se ainda a falta de confiança que tomou conta do jogador nos últimos jogos mas, com mais oportunidades de fazer golo, será mais fácil que eles aconteçam e é de golos que um avançado vive. São eles que lhe dão confiança e à medida que a confiança aumentar, um avançado precisará de cada vez menos oportunidades para fazer golo. O camaronês fez dois, podia ter feito mais, e esperemos que este bis lhe sirva de tónico.

No comportamento da equipa notou-se ainda uma certa tremideira, principalmente no início da segunda parte, quando o Boavista se mostrou perigoso para a baliza de Casillas. Valeu aqui Corona ter tirado o 2º golo do F.C.Porto da cartola -lá está!- num contra-ataque venenoso. Um grande lance do mexicano que merece ser visto e revisto e que teve o condão de acalmar a equipa e catapultá-la para a goleada.



Na Quarta-feira há novo round no Bessa, desta feita para a Taça de Portugal. Será um jogo completamente diferente e o Boavista irá certamente querer também mostrar que vale mais que aquilo que mostrou no Domingo. Os "Olés!" que ouviu decerto lhe servirão de motivação extra.

Esperemos que o FCPorto confirme as boas indicações que mostrou aos adeptos e que consiga aquilo que todos esperamos: mais uma vitória rumo a um troféu no qual é teoricamente o principal favorito. Têm a palavra os jogadores.

sexta-feira, janeiro 08, 2016

Sai Lopetegui, regressa o Zé do Boné

Porque exprimir o portismo quando se está na mó de cima é muito fácil e porque é nas horas menos boas que mais que nunca os adeptos se devem fazer ouvir, retomamos as publicações neste blogue embora sem promessas de publicações regulares. Será quando tiver que ser e conforme a inspiração mas sempre com a mesma tónica: F.C.Porto acima de tudo!




Ao que tudo indica, chegou ao fim o ciclo Lopetegui no Porto. O treinador espanhol não resistiu ao mau ambiente que se foi criando à sua volta e também em torno da equipa, isto após um péssimo arranque de ano. O último e inglório empate diante do Rio Ave acabou por ser o golpe final numa situação que já vinha arrastando há demasiado tempo.

Lopetegui chegou ao Porto prometendo muito ao trazer consigo a aura de um treinador campeão europeu com as "Rojitas" de sub-19 e sub-21 e, ao mesmo tempo, sendo também um elemento decisivo (mas não exclusivo já que o prestígio internacional do F.C.Porto também contou) para trazer para o Dragão vários jogadores de nomeada.

Infelizmente a vida não foi fácil para o basco em Portugal. Cedo começou a cobrança, quase mal chegou a Portugal, sendo a nacionalidade do treinador e a predominância de espanhóis no plantel armas de arremesso que de vários quadrantes caíram em cima de Lopetegui.

Também desde cedo se começou a sentir que Lopetegui estava sozinho contra o Mundo. Era ele quem afrontava as instituições e comunicação social mais afoita a destacar o bom de Lisboa e o mau do Porto do que fazer um tratamento equilibrado dos factos, algo a que já estamos sobejamente acostumados. 

Veja-se por exemplo a forma como a não convocatória de Ricardo Quaresma para o Mundial 2014 foi tratada pela comunicação social e compare-se com o alarido de que foi alvo o facto de não ser primeira opção de Lopetegui na época passada. Primeiro era um arruaceiro que não merecia jogar, por se ter travado de razões com um jogador do Nacional, e depois já era um talento incompreendido por um técnico estrangeiro que preferia jogadores da sua escolha pessoal.

Veja-se também a diferença entre o tratamento dispensado às reclamações de Lopetegui em relação à arbitragem (o colinho que na fase menos boa do Benfica, no ano passado, conseguiu manter os encarnados vivos) e as do sacro-santo Jesus, então de vermelho equipado. Sintomático.

Da SAD portista, sobram os dedos de uma mão para contas as vezes que saiu alguém a terreiro para defender o técnico. Só me lembro das recentes declarações de Pinto da Costa, antes do final do ano de 2015. De resto nada! Lopetegui esteve sempre isolado contra tudo: a comunicação social e os adeptos, mais depressa contagiados por aquilo que é negativo do que pelo que é positivo.

É certo que Lopetegui tem responsabilidades no que aconteceu mas não é o único responsável. A obsessão do basco pela rotatividade jogou várias vezes contra si ao impedir a estabilidade da equipa. Várias foram as situações em que, após um conjunto de boas exibições e quando se pedia estabilidade, o treinador decidia mudar mais de meia equipa, resultando daí um resultado menos bom.



Também a táctica pode ser questionada, ao privilegiar a posse de bola sem acutilância, valendo não raras vezes o génio individual deste ou daquele jogador para resolver o jogo.

Já aqui falei dos adeptos mas volto ao tema. Tem-se notado nos últimos anos uma mudança de comportamento de grande parte dos adeptos do F.C.Porto, um certo -passe a expressão- aburguesamento reivindicativo. Manifestam-se mais na crítica do que no apoio e quando assim é, a equipa perde o 12º jogador para o adversário. Veja-se a diferença em termos de comportamento em relação aos adeptos de outras paragens, mais a Sul, sempre prontos a fazer-se ouvir em alto e bom som contra o adversário e infernizando a vida aos árbitros. No Porto é diferente, chegando-se a ouvir assobios logo nos primeiros minutos de jogo... dirigidos ao próprio F.C.Porto! 

Os jogadores também têm a sua quota-parte de responsabilidade. Com intranquilidade é mais complicado render, é certo, mas é notório que há alguns "craques" mais interessados em mostrar-se para conseguirem bons contratos noutras paragens do que em lutar pela equipa. Outros há que não parecem interessados em coisa nenhuma a não ser no pagamento no final do mês. Sinais claros que a liderança já se tinha diluído.

Se isto não muda, só muito a custo os títulos voltarão ao Dragão até porque, se a cada treinador nenhum tempo é dado e a cobrança começa precocemente, não haverá tranquilidade nem confiança para desenvolver trabalho. 

A questão que irá dominar os próximos tempos é quem será o novo treinador do Porto, sendo avançados vários cenários: Nuno Espírito Santo, nesta altura um treinador livre e já várias vezes elogiado por Pinto da Costa, André Villas-Boas, que já manifestou o seu descontentamento em São Petersburgo, Luís Castro, que tem conduzido os B num percurso notável na II Liga, entre outros.

A última opção será para mim a menos desejável pois isso significaria expor novamente o bom profissional que é Luís Castro a uma situação altamente desgastante e estragar aquilo que tem sido um excelente trabalho de valorização de jovens. Villas-Boas será nesta altura pouco provável, visto que está ainda em contrato com o Zenit e o clube russo não estará muito receptivo a ficar sem o seu treinador a meio do campeonato, com tanto ainda em jogo. Nuno Espírito Santo, já várias vezes elogiado por Pinto da Costa, será para já a opção mais provável mas só os próximos dias dissiparão as dúvidas. Acredito que o facto de conhecer previamente os cantos à casa para acelerar a integração será sem dúvida um factor de peso na decisão.

Até lá, a única coisa que importa é apoiar o F.C.Porto e os seus jogadores, já na próxima jornada contra o Boavista. O campeonato está ainda totalmente em aberto e todos irão ainda perder pontos pelo que tudo pode acontecer.

A Lopetegui resta agradecer pelo tempo como treinador do Porto e lamentar que não tenha tido mais sucesso. Pessoalmente, era uma figura com quem simpatizava, alguém com um discurso assertivo e que não fazia das conferências de imprensa as peixeiradas a que se assiste por aí. Desejo-lhe sinceramente muita sorte no futuro, excepto se reencontrar o Porto como adversário.




terça-feira, janeiro 03, 2012

2011 - Mais um ano de ouro na história do Futebol Clube do Porto - Parte 4

Junho a Agosto

O período de "defeso" entre a época 2010/11 e a época 2011/12 prometia ser um dos mais agitados dos últimos anos. O "triplete" conquistado, Taça, Campeonato e Liga Europa, fez do plantel do FC Porto um filão extremamente apetecível para os grandes tubarões da Europa. No entanto, a primeira e mais estrondosa transferência haveria de ser a do treinador André Villas-Boas que se deixou cativar pelas petro-libras de Abramovich, rumando ao Chelsea, numa deserção que os adeptos dificilmente conseguirão perdoar, como o próprio Villas-Boas o reconhece, sobretudo depois das juras de amor eterno para com o FC Porto proferidas dias antes da transferência relâmpago. À cadeira de sonho faltava, pelos vistos, um revestimento em libras.

Villas-Boas, da Cadeira de Sonho para a Poltrona Infernal de Stamford Bridge

Para o seu lugar foi escolhido o até então adjunto de Villas-Boas: Vítor Pereira, com um percurso profissional até então muito discreto. Poder-se-ia questionar a validade desta escolha mas, o que é certo é que, dado o timming do anúncio da rescisão unilateral do contrato de Villas-Boas, Vítor Pereira era a escolha mais lógica: era da casa, tinha experiência como treinador principal (embora não a este nível) e estava perfeitamente identificado com os métodos do ex-treinador. Mais tarde viria a ser posto em causa mas, como se verificaria também, não seria só pelo treinador que passariam as dificuldades que o FC Porto viria a sentir no início da nova época. Ficava por isso o FC Porto com um treinador e com 15 M€ resultantes da "venda" de Villas-Boas. Um evento singular só ao alcance do FC Porto e de quem o gere.

Entretanto, as saídas de jogadores anunciadas diariamente pela imprensa eram de tal monta que dariam para vender não o plantel do FC Porto mas sim todo o público do Dragão num jogo de casa cheia. Acabariam por sair Beto (emprestado ao Cluj da Roménia), Sereno (emprestado ao Colónia), Ruben Micael e Falcao (ambos para o Atlético de Madrid, embora o primeiro tenha ido parar por empréstimo ao Saragoça). Falcao valeu uma verba recorde, estabelecendo um novo máximo em Portugal no que a transferências diz respeito, embora tenha ido parar a um clube que é demasiado pequeno para o valor do colombiano. Actualmente o Atlético anda pelo meio da tabela, a léguas do seu vizinho e colosso Real Madrid.

Alguns jogadores tentaram esticar a corda no sentido de forçar a sua saída mas sentiram na pele o rigor da gestão de Pinto da Costa e ficaram apesar das birras, casos de Fernando e Álvaro Pereira. Não voltaram a ser cometidos os erros pós-Champions de 2004/2005 e o FC Porto soube manter uma equipa extremamente competitiva, pese embora a falha que foi o não assegurar um ponta-de-lança que substituísse Falcao à altura.

Quanto a contratações mais sonantes do Brasil chegaram Danilo e Alex Sandro, do Nacional da Madeira veio Bracalli, Mangala e Defour vieram do Standard de Liège, para além das já anunciadas entradas de Kléber, Djalma do Marítimo, com um ano de atraso, e de Iturbe, o "mini-Messi" vindo do Cerro Porteño. Os dois primeiros voltaram a provar que, em Portugal, o destino mais apetecível, a garantia de prestígio e de perspectiva de projecção é mesmo o FC Porto, já que ambos rejeitaram propostas para ir para a Luz, preferindo ingressar no clube mais titulado de Portugal.

Os adeptos tinham portanto razões bem fundamentadas para esperar coisas bonitas da época que se avizinhava e que viria a abrir logo com duas finais: a Supertaça Cândido de Oliveira, em Coimbra contra o Guimarães, e a Supertaça Europeia no batatal do Mónaco contra o todo-poderoso Barcelona.

sexta-feira, dezembro 30, 2011

2011 - Mais um ano de ouro na história do Futebol Clube do Porto - Parte 3

Maio

Maio foi o mês que fechou a época de 2010/2011 com chave de ouro. O FC Porto consagrou-se como campeão nacional indiscutível, estabelecendo um recorde de pontos na vantagem em relação ao 2º classificado, ao mesmo tempo que venceu a Liga Europa e a Taça de Portugal.

A nível interno quis o destino que fosse no último jogo em casa para o campeonato que o FC Porto estivesse à beira de perder pela primeira vez na prova, não se livrando de perder pontos pela primeira vez em casa. Um golo de Hulk já em tempo de compensação permitiu que os dragões alcançassem pelo menos
o empate 3-3 (não sem polémica em foras-de-jogo mal tirados que dariam um resultado completamente diferente) contra um estóico Paços de Ferreira, num jogo onde uma entrada a matar de Nelson Oliveira atirou Moutinho para fora do jogo e pôs em risco a participação do médio na final da Liga Europa. Felizmente o João "Coragem" conseguiu recuperar a tempo de marcar presença em Glasgow. Quanto a Nelson Oliveira, viu e bem o vermelho directo.






O campeonato seria fechado da melhor forma uma semana mais tarde no Funchal, com uma vitória por 2-0 frente ao Marítimo, jogo que marcou o selar de uma proeza notável: o FC Porto sagrou-se campeão sem derrotas e apenas com 3 empates!




Em termos europeus, uma derrota por 3-2 no terreno do Villarreal não foi suficiente para impedir o FC Porto de se apurar para Glasgow onde, pela primeira vez na história, duas equipas portuguesas se encontraram numa final de uma competição europeia. O Braga foi o adversário, após ter eliminado o Benfica com uma derrota por 1-2 na Luz e vitória 1-0 na cidade dos arcebispos. Proeza para os bracarenses, alívio para os encarnados a quem a ideia de voltar a defrontar o FC Porto deixava extremamente preocupados.

Num jogo não muito brilhante, bloqueado tacticamente, valeram o sentido de oportunidade de Falcao, após um grande passe de Guarín, e as mãos de ferro de Helton para que o FC Porto voltasse a figurar nas montra dos vencedores europeus, conquistando a primeira Liga Europa do futebol português. Após Viena, Sevilha e Gelsenkirchen, foi a vez de Glasgow entrar no rol das cidades europeias de boa memória para os adeptos azuis e brancos.


Para o Jamor convergiram os adeptos para a última festa da temporada. Diante de um Vitória de Guimarães que ainda incomodou durante a primeira parte, o FC Porto mostrou galões. A tarde pertenceu a uma jovem pérola colombiana de seu nome James Rodriguez que contribuiu com 3 dos 6 golos com que o FC Porto derrotou os vimaranenses, num score final de 6-2.


No panorama futebolístico nacional, as proezas do FC Porto eclipsaram por completo uma tal de Taça da Liga que nem foi celebrada por quem a conquistou. Reza a história que, como acontecera na Luz frente ao Porto, houve muito boa gente que teve vontade de apagar a luz aos 90 minutos para fechar uma época calamitosa, curiosamente a época em que se tinham assumido como bicampeões mais que certos e ainda tinha elevado a fasquia para... a conquista da Liga dos Campeões. (Momento de pausa para um riso sarcástico).


O jogo e o golo

Sem dúvida a final de Glasgow e a cabeçada de Falcao. O FC Porto conquistou o seu 5º troféu europeu e escreveu mais uma página de ouro na sua história, dando razão a Pinto da Costa que, profeticamente afirmara no final da época anterior "Vamos voltar a ganhar, cá dentro e lá fora!"






O melhor

3 troféus erguidos numa época onde o FC Porto conquistou 4 das 5 competições em que competiu.

Mais um troféu europeu conquistado numa final onde, pela primeira vez na história, se defrontaram duas equipas portuguesas.

A Taça de Portugal foi mesmo a festa do futebol. Cabazada aplicada e troféu levantado!



O pior

A lesão que ia deixando Moutinho impedido de participar na final, numa entrada que deu muito que falar por Nelson Oliveira.

A final de Glasgow ficou aquém das expectativas em termos de futebol jogado. Frente a frente, as duas equipas que melhor futebol praticaram em Portugal em 2010/2011 deixaram os adeptos algo frustrados nesse aspecto.







Amanhã: O turbulento mercado de Verão e a fuga de Villas-Boas

2011 - Mais um ano de ouro na história do Futebol Clube do Porto - Parte 2

O 2º trimestre de 2011 marca o clímax da época de 2010/2011. O FC Porto ganha jogos com resultados categóricos, cilindra adversários, pulveriza recordes e conquista a Europa. A nível interno, humilha duas vezes o rival mais directo em jogos que deixaram traumas profundos nos adeptos encarnados. Para a história fica o feito de uma equipa que se tornou na equipa portuguesa com mais títulos e que se destacou ainda mais em termos de palmarés internacional.


Abril

Abril mês da liberdade, mês da celebração eufórica, o mês em que a Luz se apagou! Abril de 2011, o mês destinado a perdurar na eternidade das memórias dos adeptos azuis e brancos (e não só) e onde a concorrência, envergonhada e humilhada, preferiu esconder-se no conforto da escuridão. O primeiro jogo do mês de Abril colocou frente a frente FC Porto e Benfica no estádio da Luz, equipas que partiam para esse jogo com ambições bem diferentes.

O FC Porto lutava ainda em 3 frentes e sabia que o título estava praticamente assegurado, embora uma vitória na Luz fosse a cereja em cima do bolo. O Benfica mobilizou adeptos e jogadores com aquilo que se tornou o objectivo maior no campeonato: impedir a humilhação suprema de ver os dragões fazerem do Estádio da Luz o palco da festa de um campeonato mais que merecido. Já bastava a afronta indizível dos 5-0 sofridos no Dragão na primeira volta.

Só que o FC Porto que subiu ao relvado da Luz não mudou o chip do querer e da ambição que foi apanágio da época. Não se refugiou no conforto de saber que um empate era um resultado confortável e suficiente e foi à procura da vitória que arrancou a ferros.
Nem uma arbitragem inqualificável de Duarte Gomes, que provavelmente na altura ainda não tinha perfil no Facebook, impediu Villas Boas e os seus de colocar sobre o campo a lei do mais forte.








O FC Porto venceu por 2-1, sagrou-se campeão e deixou a "onda vermelha" à beira de um ataque de nervos, agarrando-se à esperança de "vingarem" mais esta facada profunda no seu orgulho com uma vitória na Taça de Portugal onde estavam bem lançados. No final, os dirigentes do Benfica mostraram porque dizem ser diferentes dos outros (mostraram a sua estatura moral, digo eu) e, para não assistirem às celebrações do título, apagaram a iluminação do estádio e ligaram o sistema de rega.









A festa seguiu na mesma e para sempre fica a memória do dia em que o FC Porto foi a Lisboa apagar a Luz. No final, soltou-se a alegria!






Mas quis o destino que, nesse mesmo mês, o FC Porto voltasse à Luz para disputar a 2ª mão das meias finais da Taça de Portugal, com um handicap de 0-2 derivado da derrota em casa averbada na primeira mão. Apesar de o Benfica já ter sido "vendido" na imprensa como o mais que provável vencedor da Taça de Portugal, mais uma vez o FC Porto passeou categoria e nem um penalty fantasma inventado já perto do fim a favor do Benfica impediu os dragões de dar mais uma estocada numa águia moribunda. Resultado final: 3-1 para o FC Porto após uma 2ª parte de luxo em que o adversário foi vulgarizado e passaporte carimbado para a final da Taça de Portugal!

Ainda durante o mês de Abril, o FC Porto assumiu-se como favorito à vitória na Liga Europa, passeando na Rússia e ganhando ao Spartak de Moscovo por 5-1 no Dragão e 5-2 em Moscovo e depois conseguindo um resultado sensacional nas meias finais da competição ao bater o Villarreal por 5-1 no Dragão, após estar a perder por 1-0 ao intervalo, e garantindo o apuramento para a final de Glasgow!

A nível interno o FC Porto ainda fez dois jogos a contar para o campeonato, vencendo o Portimonense no Algarve por 3-2 e depois o Sporting no Dragão também por 3-2.



O jogo

Sem dúvida a vitória na Luz nas meias finais da Taça, quando o Benfica já era dado como vencedor antecipado da competição após a vitória por 2-0 no Dragão e que deixou os portistas no céu e os benfiquistas à beira do colapso. Com 0-0 ao intervalo, o FC Porto voltou dos balneários com um ritmo diabólico que não deu hipótese a uma equipa do Benfica que se viu completamente desorientada em campo. Valeram os golos de Moutinho, Hulk e Falcao e nem um penalty fantasma por excelente movimento artístico de Saviola conseguiu perturbar mais uma festa na Luz... desta vez com direito a iluminação no final.






O golo

É difícil escolher qual terá sido o melhor ou mais significativo golo do mês de Abril. O golo de Moutinho que deu início à reviravolta na Taça de Portugal? O 3º golo do FC Porto contra o Villarreal por ser um lance espectacular de contra-ataque, o 2º golo por Guarín pela iniciativa individual eficaz ou o 4º golo por Falcao, num voo após a passe de Guarín? E porque não o voo de Falcao a fazer o 1-0 na recepção ao Spartak? O 2º golo contra o Sporting na noite em que Rui Patrício evitou uma goleada histórica só à conta de Falcao? A minha escolha vai para o golo do FC Porto em Moscovo, uma jogada incrível do... Íncrivel que recupera uma bola na defesa, tabela no círculo central com Falcao para depois aparecer na cara do guarda-redes russo a fazer o 1-0 para os dragões!






O melhor

Abril, o mês perfeito! 7 jogos, 7 vitórias, 26 golos marcados, 10 sofridos. Reviravolta nas meias-finais da Taça de Portugal com vitória por 3-1 na Luz após derrota por 0-2 no Dragão, vitórias categóricas contra Spartak e Villarreal na Europa, alcançadas as 15 vitórias consecutivas no campeonato.

O título de campeão alcançado na Luz por 1-2, contra Benfica e Duarte Gomes.

O passaporte praticamente carimbado para a final da Liga Europa.


O pior

A pequenez das mentalidades vê-se nos gestos e nas palavras. Neste caso, para esconder a vergonha de terem de assistir à festa do título do FC Porto na Luz, o Benfica, o tal "clube diferente", apagou as luzes do estádio e ligou o sistema de rega, ajudando com isso a perpetuar este momento na memória colectiva desportiva dos portugueses.

A arbitragem de Duarte Gomes no 2-1 da Luz, só comparável a uma outra de um tal João Ferreira na Supertaça disputada no início da época 2010/2011. Ainda não devia ter perfil no Facebook na altura.



2011 - Mais um ano de ouro na história do Futebol Clube do Porto

O ano de 2011 irá sem dúvida deixar gratas recordações em todos os adeptos do Futebol Clube do Porto e do futebol português, fechando com chave de ouro uma época que, logo no seu início em 2010, deixou bem clara a supremacia dos dragões sobre os seus concorrentes (Benfica, Braga, Sporting,...) e que culminaria com a conquista do "triplete": Campeonato, Taça de Portugal e Liga Europa.


Mais turbulenta seria a transição para a nova época de 2011/2012, com a mudança de treinador e os problemas que afectaram o plantel, levando a uma precoce eliminação da Liga dos Campeões.



Janeiro


O ano não começou da melhor maneira. Uma derrota por 1-2 no Dragão frente ao Nacional colocou praticamente o FC Porto mais uma vez fora da Taça da Liga, facto confirmado mais tarde , curiosamente no jogo que fechou o mês, com um empate em Barcelos, diante do Gil Vicente embora com uma equipa do FC Porto bastante alternativa. Pelo meio, 6 vitórias em outros tantos jogos, contra Marítimo, Naval, Beira Mar e Nacional, e ainda Pinhalnovense para a Taça de Portugal e Beira Mar para a Taça da Liga.


O jogo e o golo


Na ressaca da derrota com o Nacional para a Taça da Liga, a primeira derrota da época, o FC Porto recebeu o Marítimo em jogo a contar para o campeonato e mostrou que o resultado anterior havia sido aquilo que se sabia: um acidente de percurso.


Aos 36 minutos da primeira parte, com o resultado ainda em branco, Emídio Rafael combinou com Varela na esquerda, este tocou para o meio e para trás para Fredy Guarín que encheu o pé e disparou um míssil que só acabou dentro da baliza de Marcelo Boeck. Este golo acabaria por correr Mundo naquele que seria, senão o melhor, um dos melhores golos do ano!







O melhor


A reacção à primeira derrota foi categórica, com uma goleada aplicada ao Marítimo no Dragão.
As exibições e os golos de Emídio Rafael, de pedra e cal na esquerda.


O pior


Dois resultados negativos na Taça da Liga que ditaram a eliminação do FC Porto, na forma como aconteceram, mostraram que este troféu não está mesmo na prioridade dos dragões.
A lesão grave de Emídio Rafael no jogo contra o Gil Vicente, que atirou o defesa-esquerdo para o estaleiro até ao fim da época numa altura em que este tinha conseguido afirmar-se como titular.






Fevereiro


Se o mês de Janeiro começara e acabara mal, o de Fevereiro não podia ter também começado da pior maneira com o FC Porto a receber e a perder em casa com o Benfica nas meias finais da Taça de Portugal por 0-2. Uma falha de concentração de Maicon marcou o jogo logo nos primeiros minutos e 20 minutos depois o golo de Javi Garcia deu a necessária tranquilidade ao Benfica para gerir o resultado. Este resultado também serviu para mostrar a têmpera de Jorge Jesus que, se na derrota inesquecível por 5-0 no Dragão justificou o resultado com a incapacidade de David Luiz em cumprir o que lhe havia sido pedido e não com a superioridade mais que evidente do FC Porto, já neste jogo bradou aos céus uma suposta superioridade táctica do Benfica como garante da vitória. Este resultado teve contudo o condão de animar as hostes benfiquistas numa época que estava a ser, a todos os títulos, desastrosa.


Neste mês o FC Porto voltaria a conhecer o sabor da derrota ao perder em casa com o Sevilha num jogo com uma arbitragem miserável de Howard Webb que consentiu o jogo violento dos andaluzes e deixou os adeptos azuis e brancos à beira de um ataque de nervos. Ainda assim, esta derrota injusta não impediu o FC Porto de passar aos oitavos de final da Liga Europa, fruto da vitória na primeira mão em Sevilha, cidade-talismã, por 2-1.


Pelo meio 3 vitórias para o campeonato em 3 jogos, contra Rio Ave, Braga e Olhanense.


O jogo e o golo


Em Sevilha, o FC Porto enfrentou aquela que era a equipa tida como mais complicada que podia ter calhado em sorteio e que fora eliminada da Liga dos Campeões na pré-eliminatória pelo SC Braga após um jogo épico que culminou em 4-3 para os minhotos.


No Sanchez Pizjuán, o FC Porto sobreviveu à sufocante fúria andaluz e chegou mesmo a colocar-se em vantagem por Rolando. No entanto o Sevilha recolocou o empate no marcador por Kanouté e fez o estádio acreditar que a reviravolta era apenas uma questão de tempo. Foi aí que Villas-Boas tirou o coelho Fredy Guarín da cartola e o colombiano estabeleceria o resultado final a 5 minutos do fim, golo que seria determinante, como se viu depois, para carimbar a passagem aos oitavos de final da Liga Europa.







O melhor


A continuação da série vitoriosa no campeonato com a vitória por 2-0 em Braga, com 2 golos de Otamendi, naquela que era a saída mais difícil do FC Porto para além da ida à Luz, e que elevou novamente os índices de confiança da equipa.


A passagem aos oitavos de final da Liga Europa em detrimento do Sevilha, um dos grandes de Espanha e o adversário mais complicado que poderia ter calhado ao FC Porto.




O pior


A derrota com o Benfica no Dragão para a Taça de Portugal foi encarada como o sentenciar da carreira azul e branca na prova. Depois se veria que isso seria apenas o primeiro capítulo de mais uma proeza fantástica da época 2010/11.


A injusta derrota com o Sevilha no Dragão com uma arbitragem inacreditável de Howard Webb.






Março


Um mês 100% vitorioso! Com vitórias para o campeonato diante do Guimarães, Leiria e Académica, o FC Porto cimentou a liderança em relação ao segundo classificado, aumentando a vantagem de 8 para 13 pontos. Na Liga Europa, outro confronto digno da Liga dos Campeões diante do CSKA de Moscovo que redundou na passagem dos dragões aos quartos de final da prova.


O jogo e o golo


Em Moscovo, o FC Porto enfrentou não só o CSKA local como ainda o "General Inverno" da Rússia. Num campo gelado, em condições extremamente difícil, o FC Porto confirmou a tradição e voltou a vencer com o golo a ser apontado por Fredy Guarín aos 70 minutos. Estavam abertas as portas dos quartos de final da Liga Europa, mais uma vez à bomba!





O melhor

Um mês só de vitórias que elevou para 12 o número de vitórias consecutivas no campeonato e colocou o FC Porto à beira do título... antes do jogo com o Benfica.

As duas vitórias diante do CSKA que garantiram o apuramento para os quartos de final da Liga Europa

O pior

Que se pode dizer num mês assim? Devia ter havido mais jogos?




Continua...

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Pinto da Costa, simplesmente o melhor dirigente do Mundo

Um ano de ouro (mais um) da história de sucesso do FC Porto não poderia fechar da melhor maneira. Na entrega dos Globe Soccer Awards no Dubai, Jorge Nuno Pinto da Costa recebeu o galardão de Melhor Dirigente do Ano 2011 e ainda o Prémio de Carreira, pelo acumular de títulos que o tornam um caso único na história do futebol mundial com um total de 56 (só no futebol).

A estes, há ainda que somar 17 no Andebol, 26 no Basquetebol, 57 em Hóquei em Patins (com um extraordinário decacampeonato e a lutar esta época pelo eneacampeonato), isto só para citar algumas das modalidades, não sendo de menor importância os registos alcançados na Natação e no Bilhar. Aliás, nesta última modalidade, o FCPorto é também um grande da Europa.

À frente dos destinos do FC Porto desde 1982, Pinto da Costa pegou no clube que vivia dias amargos e, com determinação e dedicação, fez dele um clube que é hoje uma referência internacional. Este registo ganha ainda mais significado se tivermos em conta que Pinto da Costa fez isso enfrentando não só os adversários desportivos mas também os poderes instituídos e saudosistas da outra trilogia nacional que era citada a par de "Deus, Pátria, Família".

Ao longo da sua gestão cometeu erros, é certo, mas é precisamente nas horas de fraqueza que se distinguem os melhores, pela sua capacidade de arregaçar mangas e ir à luta, de ultrapassar um momento menos bom com um mais brilhante ainda que os outros que para trás tinham ficado. Aí, Pinto da Costa é mestre.

Tivesse conquistado apenas metade dos títulos e Pinto da Costa poderia ainda ser considerado aquilo que é hoje: o melhor dirigente desportivo de todos os tempos!





Imagem: O Jogo

sábado, dezembro 03, 2011

A Semana: da questão do treinador à vergonhosa comunicação social que temos

Mudança de rumo?

Depois de uma decepcionante exibição em Coimbra, que redundou numa derrota por 3-0 diante da bem organizada Académica, não faltaram paineleiros a promover as exéquias da equipa do FC Porto. Eu próprio, confesso, fiquei algo pessimista em relação ao futuro próximo da nossa equipa já que se avizinhavam dois compromissos importantes: Shaktar para a Liga dos Campeões e SC Braga para o campeonato, ambos ossos duros de roer.

A resposta foi a melhor possível com duas vitórias importantíssimas a abrirem excelentes perspectivas na competição maior de clubes da Europa e a manterem o FC Porto na liderança do campeonato. Vendo as últimas duas exibições e comparando com o jogo de Coimbra, é caso para perguntar o que mudou de um jogo para os outros? Fundamentalmente a atitude dos jogadores!

Continuo a dizer que Vítor Pereira não é treinador para o FC Porto ou, se o é, isso ainda está para provar. A preocupação excessiva em dar o seu "cunho" à equipa, levou ao abandono das rotinas que caracterizavam o FC Porto avassalador da época passada. A fixação cega no 4-3-3 colocou muitas vezes o FC Porto em cheque. Parece agora que houve uma mudança para um 4-2-3-1 que redundou nas duas vitórias acima citadas, com Hulk a ser posicionado a ponta-de-lança. Por outro lado, também há que apontar algumas falhas na leitura do jogo e nas substituições que vai fazendo e que nada trazem ao jogo. Não concordo com a aposta continuada em Maicon como defesa direito (P. Emanuel soube explorar muito bem esse facto) e a inclusão de Hulk no eixo de ataque resulta bem em alguns jogos mas noutros já pode ser nocivo para o FC Porto.

MAS... com os jogadores que o FC Porto tem, a equipa deveria ser capaz de render algo mais em determinados momentos. O que falha então? A mentalidade de alguns jogadores que fizeram com que estivessem a léguas daquilo que já lhes vimos fazer. O puxão de orelhas presidencial após o jogo de Coimbra parece ter surtido efeito e, tenha ou não acontecido o falado compromisso entre jogadores, treinador e presidente, os resultados estão à vista.

Veremos agora nos próximos compromissos se a tendência é para manter e se na próxima Terça-feira, como todos esperamos, o FC Porto confirma o apuramento para a próxima fase da Liga dos Campeões e no Sábado deixa em Aveiro a boa imagem que não deixou nesse estádio contra o corajoso conjunto do Feirense.

Os assobiadores profissionais

O adepto do FC Porto é por norma um adepto mal habituado e que exige sempre um elevado padrão de qualidade no jogo e nos resultados da equipa. Épocas fantásticas como a última ajudam a fomentar esta exigência mas, por outro lado, fazem com que muitos adeptos esqueçam os caminhos difíceis que este clube já teve de percorrer e as várias frentes de luta em que teve de se envolver (e que hoje ainda enfrenta) para alcançar o estatuto de clube português de maior prestígio.

É legítimo ficar-se decepcionado com exibições recentes e eu próprio não fico nada contente mas fico furioso a sério quando vejo adeptos a darem-se ao trabalho de ir insultar e apupar a equipa quando ela mais precisa de apoio. É claro que a própria mentalidade portuguesa tem influência nessa atitude e é muito fácil ser adepto quando as coisas correm bem do que quando correm mal. Os portugueses são assim por natureza. Estão habituado a puxar pela sua equipa depois desta puxar por eles, mas haja bom senso!

Para apupar e insultar a equipa mais vale despirem a camisola azul e branca, que tantas boas memórias nos traz, e vestirem uma vermelha pois é essa que servem nesse momento.

Do camarada Valdemar ao festejo de Pedro Gil

Parece que o camarada Valdemar, a que alguns chamam jornalista para desprestígio da própria classe dos jornalistas, se viu em apertos após o jogo entre o FC Porto e o SC Braga, jogo em que o camarada Valdemar se fartou de maldizer o que viu e ainda de inventar mais umas quantas coisas que não viu, no cumprimento do seu já conhecido sentimento anti-portista.

Não sei se o camarada Valdemar levou mais ou menos bofetadas do que aquele senhor de sotaque brasileiro que, há uns anos e à frente de um agente da autoridade, levou umas bofetadas na sua chegada ao aeroporto da Portela por parte de um segurança que, de vez em quando, ao que parece, faz uns biscates em túneis, e que na altura escoltava um conhecido comerciante de pneus e empresário de construção civil, que ultimamente tem feito muito bons negócios em Espanha nessa área.

Não interessa para o caso nem sei se terá ou não as mesmas consequências judiciais que esse caso teve na altura. O que sei é que o camarada Valdemar acabou por colher, infelizmente da pior forma, aquilo que ele mesmo tem vindo a semear com elevado ânimo.

Noutra modalidade, numa notícia publicada ontem, a Bola Vermelha mostra que o seu empenho na propaganda vermelha continua ao mesmo nível da imaginação dos que infestam as instalações do diário. Desta vez viram num festejo do hoquista Pedro Gil uma manifestação de reivindicação de supostos pagamentos em atraso.

Ao ver as imagens fiquei também convencido disso pois vi na expressão de alegria efusiva de Pedro Gil uma expressão de alegria que só tem comparação com a alegria que tenho visto no rosto dos participantes das manifestações que têm acontecido por essa Europa fora.

Senhores "jornalistas", com franqueza...! Há locais e alturas próprias para se dedicarem à produção de ficção literária.

Nem um penalty artístico lhes valeu...

Ontem, o anunciado vencedor de todas as competições em que participava na corrente época sofreu um inconveniente dissabor ao perder com o Marítimo por 1-2, sendo eliminado portanto da Taça de Portugal e nem lhes valendo um penalty fantasma assinalado sem hesitação pelo camarada Paulo Baptista.

Fica no entanto desse lance o registo de um momento de rara beleza artística e também a confirmação de que, pelas bandas da Luz, o movimento de queda no relvado é trabalhado de forma assídua nos treinos. Vejamos os dois exemplos mais recentes:

Movimento 1: Nolito efectua um movimento de queda que lembra o estilo "tronco seco na floresta", deixando um sulco cavado no relvado com a perna direita em jeito de cedilha para acentuar o efeito estético do movimento. Nome de código "Manobra do Lavrador Andaluz".



Movimento 2: Artur efectua uma manobra de simulação da presença de um franco-atirador nas bancadas após indicação do melhor treinador do Mundo. Nome de código "Manobra Sarajevo".

sábado, novembro 19, 2011

Académica 3 x 0 FC Porto. Eis a diferença...


...entre uma equipa com jogadores que, não sendo extraordinários, estão bem arrumados e uma equipa, com grandes jogadores, totalmente desarrumada.

E eis que em Novembro o FC Porto já foi afastado da Taça de Portugal e corre o risco de ficar pelo caminho na Champions. O optimismo para o jogo de Donetsk deve estar reservado a uma ínfima minoria.

Parabéns à Briosa, parabéns Pedro Emanuel.

terça-feira, novembro 15, 2011

"O Sistema Porto" - Grande reportagem do L'Équipe

O último número do l'Équipe Mag, de 12 de Novembro, dá um grande destaque ao sistema de gestão do FC Porto, destacando o sucesso da sua política de transferências que lhe permite ir buscar jogadores a baixo preço para depois os vender aos grandes "tubarões" europeus por milhões. É ainda destacada a forma como a equipa do FC Porto, apesar de todos os anos perder grandes figuras, se consegue manter competitiva e ganhadora, facto que aliás se traduz em 24 troféus conquistados desde 2001.

Excertos:

"Este Verão, o Porto vendeu o seu avançado colombiano Falcao ao Atlético de Madrid por 40 M€, após tê-lo comprado por 5,5 M€ dois anos antes. Desde o ano 2000, o clube obteve mais de 415 M€ em receitas de transferências (ver abaixo) e apresenta a particularidade de vender também... os seus treinadores. O Chelsea pagou 6M€ por José Mourinho em 2004 e 15M€ este Verão por André Villas-Boas."

"Os olheiros, o staff técnico e a administração do clube têm de estar de acordo na compra de um jogador, a decisão deve ser unânime. A nossa avaliação não diz respeito apenas à qualidade desportiva do jogador, também damos importância à sua capacidade de integração e ao seu contexto familiar"

"A História fala por nós: aqui ganhamos muitos títulos e depois podemos sair para um clube ainda maior. Os jogadores sabem muito bem disso. A marca Porto existe"

Vale a pena ler a reportagem e constatar que, ao contrário do que dizem por aí muitos "sabedores" para quem o Mundo é do tamanho do seu umbigo, o FC Porto lá fora é conhecido pela excelência da sua organização, sendo sem sombra de dúvidas uma marca de sucesso e de prestígio.

Podem ler a reportagem em português na íntegra no blog do meu estimado Dragão Vila Pouca, que aliás foi quem me deu a conhecer a reportagem, clicando aqui.

sábado, novembro 05, 2011

"O pior cego é aquele que não quer ver"

Olhanense-0-FCPORTO-0


Hipótese de ganhar 3 pontos, e esperar pelo jogo do oponente directo em Braga, e sai um FCP europeu...ou seja, sem nível...

Depois da derrota em Nicósia, esperava um FCP a querer e a fazer tudo para limpar a imagem mas, se isto é tudo, então está tudo dito! Há jogadores que estão a viver dos rendimentos do ano passado e pouco ou nada fazem para mudar este ano e o estado do futebol praticado pelo FCP.

E pronto, mais do mesmo. Um Porto lento, com um jogo muito mecânico, mas muito previsível para um adversário que sabe defender, mesmo que com 11 atrás da linha da bola. Já o Apoel tinha demonstrado isso por 2 vezes e D.Faquirá é um treinador astuto e assim colocou a sua equipa recuada. Com 2 centrais altos e fortes e um meio campo de combate travou logo à partida um FCP previsível.

Contudo, os primeiros 15m., 20m. do FCP até foram positivos, com um penalti ganho por Kleber aos 3m., apesar de falhado por Hulk, 2 boas defesas do GR.

O FCP continuou a mandar no jogo, mas sem conseguir ser objectivo, apesar de um possível (para mim) 2ºpenalti, por mão de um jogador do Olhanense, que o arbitro não assinalou. Houve muitos cantos sem aproveitamento, pois eram marcados muito para a pequena área onde o GR mandava, e este esteve muito bem nesses lances aéreos.

Por várias vezes os jogadores do FCP apareciam em boa posição para efectuar bem o ultimo passe mas depois executavam mal... Nervosismo???


Aos poucos o FCP perdeu o dominio absoluto que tinha do meio campo, embora um pouco consentido pelo Olhanense, mas ai conseguiu sempre evitar que as investidas dos avançados contrários criassem perigo, mas começou a ver-se alguns jogadores do FCP presos na sua posição, sem desmarcações na frente ou meio campo e, com isso, o jogo ofensivo claramente emperrou, pois com os extremos em baixo de forma, fica ainda mais evidente que a nível individual ninguem consegue resolver.

Na 2ªparte, A.Pereira pareceu ter ordem para subir mais e James para vir para o meio, jogando quase com a defesa a 3. Infelizmente, o problema no meio campo continuava, sem passes de ruptura ou sequer desmarcações bem conseguidas. Tudo se torna previsivel neste FCP de Vitor Pereira...

Depois as alterações... O FCP está empatado e faz-se uma troca directa de avançado?! Porque não jogar com 2, colocando James definitivamente no meio e arriscando mais? Tinha de sair Belluschi que não esteva nada inspirado...

Por outro lado, porque não entrar Varela para o lugar do argentino, uma vez que os principais lances do FCP surgiam pelas alas? Se Maicon na 2ªparte não subia tanto, já que A.Pereira fazia o corredor todo do lado contrário, entrava Varela para a direita e Hulk encostava-se mais ao avançado centro, Walter, já que Kleber tinha sido substituído.

Nada! Do banco só se troca avançado por avançado e médio por médio... Sem comentários!

Dei por mim a desejar que algum cruzamento desse em auto-golo pois, tal como em jogos anteriores, está dificil de fazer um golo. Os jogadores estão claramente sem confiança e até de penalti falham agora...

Claro que com o jogo a arrastar-se para o fim, os jogadores do FCP arriscavam mais e até pela saida de Fernando, passou a existir mais espaço para o Olhanense. Felizmente eles também não sabem mais e em termos ofensivos são fracos. Apenas tentaram e conseguiram manter o nulo até ao fim.

Competia ao FCP inverter isso, mas este FCP de Vitor Pereira não está para grandes correrias, nem para grandes sacrificios, pois alguns jogadores ou estão mesmo em baixo de forma ou disfarçam muito bem- O problema é que já são muitos e assim, enquanto equipa, enquanto colectivo e conjunto sai muito pouco...

Quando se conseguiu posição de remate á baliza, tudo saiu mal. Mangala de cabeça na pequena area atirou por cima e Hulk por 3 vezes rematou torto, quando estava em posição frontal. Os cruzamentos eram todos cortados pelos defesas para qualquer lado (só não para a baliza...) e os avançados deixaram-se sempre antecipar!!!!


Jogador a jogador:

Helton, quase não teve trabalho.

Maicon, gostei dos cruzamentos que fez, sempre tensos, mas acho que na parte final devia ter subido mais no terreno.

Rolando, bem nos cortes atrás mas nos passes longos esteve mal, pois falhou vários.

Mangala, nervoso, falhou passes fáceis, pois eram curtos, e isso revelou intraquilidade. Teve mesmo algumas entradas a destempo.

A.Pereira, para mim está a subir de forma, pois faz a preceito todo o flanco esquerdo. Só é pena que não acerte nos cruzamentos, talvez por culpa de falta de rotinas com quem está na área.

Fernando, talvez o jogo menos bom dos ultimos tempos, tendo que fazer muitos passes, nem todos sairam bem e com isso enervou-se um pouco.

João Moutinho, não está em forma, numero elevado de passes falhados, sem conseguir dinamizar a equipa á sua volta. O meio campo do FCP parece estar actualmente a jogar com o triangulo invertido, com Moutinho mais perto de Fernando e Bellushi a aparecer quase como nº10.

Belluschi, esteve em campo??? É que quase não dei por ele, tirando as vezes em que se deixou antecipar pelos adversários. Muito pouco para tanto tempo em campo. Embora este ano apareça mais à frente, não se consegue evidenciar e com isso a equipa perde um médio.

Hulk, falhou um penalti. Remate denunciado e pouco colocado, sendo de realçar a defesa do GR das 2 vezes... Esteve ausente da 1ªparte e só na 2ªparte apareceu mais no jogo, mas pouco assertivo e lento. No 1 contra 1 raramente conseguia ultrapassar o seu marcador. Mesmo assim, foram dele os lances de mais perigo, com 3 ou 4 cruzamentos fortes colocou os defesas em apuros, mas ninguem se antecipou para empurrar para a baliza... Ainda conseguiu rematar por 3 ou 4 vezes na entrada da area, mas sempre torto...

Kleber, foi sobre ele o penalty, num lance em que ganhou bem a posição, mas no resto do jogo esteve pouco participativo em tabelas e desmarcações. Rematou à baliza?

James Rodriguez, macio em campo, sem garra nas divididas, perdeu a maior parte, e esteve pouco dinamico. Na 2ªparte, com Alvaro a subir mais, foi mais para o meio, mas faltou maior esclarecimento.

Walter, entrou aos 60m para o lugar do Kleber numa troca directa que mostrou a falta de audácia do treinador. Porque não os dois juntos em 4-4-2, com Hulk e James nas alas?
Ainda assim Walter entrou bem, mais rápido e mais participativo, mas não conseguiu isolar-se para ter um remate limpo...

Defour, entrou para o meio campo, quando o que se precisava era um homem para a frente e nada trouxe.

Guarín, idem como Defour, com a agravante de parecer pesado e pouco esclarecido.


Estas 2 substituições demonstram que este FCP de Vitor Pereira só sabe jogar em 4-3-3 e não sabe alterar para nenhum outro sistema. Mesmo dentro do 4-3-3 parecem não existir variantes. Não há desmarcações dos médios pelas alas nas costas dos extremos, como o ano passado... Pouco! Muito pouco!

Vitor Pereira, já o tinha dito e repito, não tem estaleca para o FCP. É um avião grande de mais para ele. Pode ser portista, honesto, trabalhador (tudo louvável) mas para treinador principal do FCPORTO não serve.


Que esta paragem sirva de reflexão a quem de direito...


Se amanhã perdermos a liderança para o Benfica e o Sporting ganhar, o FCP passará a ser o alvo a abater e a desconsiderar pelos jornalistas e fazedores de opinião. Teremos mais do mesmo portanto...

Para muitos jogadores do FCP, no entanto, isso diz pouco. Eles recebem o deles (e não é pouco!) e numa altura em que já seria de esperar um FCPORTO entrosado com o novo sistema de Vitor Pereira, pois já são 3 meses de treinos, jogos particulares e muitos jogos a sério o que vejo, comparando por outros clubes por essa Europa fora, é quase impensável, tal o mau futebol que o FCP pratica. Pena é que o treinador não veja isso.


Quanto à arbitragem, falo no fim, pois prefiro avaliar tudo o resto antes, e só depois falar em terceiros e nas suas culpas.

No lance do penalti assinalado, seria amarelo ou vermelho para o defesa? A bola não estava controlada, mas o Kleber estava isolado...Contra 10 era outra história.

Passado uns minutos (aos 20m.) existiu um penaltie de um defesa do Olhanense, pois cortou com a mão uma bola cruzada ainda de uma boa distância, mas o arbitro não quis marcar penalti. Apesar de ter visto o lance, julgou-o não intencional, mas o que é facto é que o jogador cortou a bola que seguia para a pequena area onde estavam avançados do FCP.

Ainda durante o resto do jogo, percebeu-se que os jogadores do Olhanense podiam entrar mais forte, que não veriam amarelo, enquanto os do FCP à minima falta era logo amarelo como se viu com Fernando e Rolando. "Critérios".

Pela análise que muitos fazem em relação a outros jogos, o FCP foi espoliado em 2 pontos neste jogo...

FORÇA FCPORTO!!!!!!