Para a história ficará sem dúvida o resultado de 1-1 neste jogo entre Sporting e FCPorto. Contudo, será também difícil de esquecer o verdadeiro desastre de arbitragem protagonizado esta noite por Jorge Sousa que, em todos os lances capitais, decidiu contra o FCPorto, primeiro permitindo um golo irregular, que colocou o Sporting em vantagem, e depois deixando passar em claro uma agressão bárbara de Maniche a Moutinho para, pouco depois, "inventar" uma falta de Maicon sobre Liedson e mostrando um vermelho ao defesa-central. Como seria se o jogo fosse 0-0 para o intervalo? E se Maniche tivesse sido expulso como normalmente tem sido? E se Maicon não tivesse saído, obrigando Villas-Boas a abdicar de Falcao? Nunca saberemos. Como eu já disse, para a história fica o resultado de 1-1...O FCPorto entrou no jogo a léguas daquilo que se esperava. Procurando sobretudo controlar o jogo sem carregar demasiado no acelerador, o FCPorto entregou a iniciativa ao Sporting. Longe da bola, Hulk pouco aparecia e Falcao era obrigado a desgastar-se caindo nas alas e vindo atrás buscar jogo. Como se não bastasse, especialmente na primeira parte, a primeira fase de construção de jogo era sabotada pela péssima prestação de Fernando que raramente acertou um passe e que também falhava de forma displicente a abordagem aos lances quebrando à nascença a iniciativa ofensiva da equipa.
Ainda assim, Falcao teve uma oportunidade de ouro para inaugurar o marcador, isolando-se diante de Rui Patrício mas atirando ao lado. Pouco depois, seria a vez do Sporting ter uma grande oportunidade através de um grande remate de Pedro Mendes à barra da baliza do FCPorto. Sem que ninguém conseguisse desatar o nó do nulo, esperava-se que o resultado chegasse inalterado ao intervalo quando... a verdade do jogo começou a descarrilar e o Sporting conseguiu chegar ao golo por Valdez. O chileno consegue isolar-se, ganha a Maicon e bate Helton fazendo-lhe um túnel. O "único" problema é que, no momento em que Rui Patrício pontapeou a bola, Valdez estava em posição irregular e ninguém mais tocou na bola. Isto à partida invalida a discussão sobre como, num segundo momento, Valdez beneficia do facto de ter ganho um ressalto de bola com o braço na discussão do lance com Maicon.
Ao intervalo, o FCPorto inofensivo e tristonho ficou nos balneários, entrando o FCPorto que todos conhecemos: forte e ambicioso. Os comandados de Villas-Boas carregaram finalmente no acelerador, chegando-se à frente e pegando no jogo. Bastaram por isso cerca de 10m de FCPorto "à FCPorto" para restabelecer o empate, com uma boa jogada que envolveu Moutinho, Hulk e Falcao, com o colombiano a fazer o que sabe fazer melhor.
Logo a seguir, Jorge Sousa voltou a fazer das suas deixando passar em claro uma agressão de Maniche que entrou com tudo ao joelho de Moutinho, quando a bola já nem se encontrava por ali. Vermelho directo (seria o 3º vermelho do médio leonino esta temporada e mais uns quantos jogos na bancada) que ficou por mostrar. 10 minutos depois, contudo, Jorge Sousa não teria quaisquer dúvidas num lance em que Maicon foi displicente e se deixou antecipar por Liedson. Apesar de tudo, o defesa central, procurando ganhar a posição encostou no avançado que, ao seu melhor estilo, "cavou" a falta. Jorge Sousa resolveu armar-se outra vez em protagonista e mostrou o vermelho directo ao defesa central.
Foi o lance que acabou com o jogo. Villas-Boas, como o fizera na Turquia diante do Besiktas, fez sair Falcao fazendo entrar Otamendi e, a partir daí, não voltou a haver uma ocasião clara de golo para qualquer das equipas. Como destaque, apenas mais um momento de Sousa que, para completar a sua imagem de indómito justiceiro anti-Porto, expulsou ainda Villas-Boas.
Este empate acaba contudo por ser um resultado positivo, embora não o ideal, para o FCPorto que desta forma mantém a sua invencibilidade e chega ao fim dos jogos "grandes" da primeira volta (Braga x Benfica x Sporting) com duas vitórias e um empate, e um saldo de golos de 9 x 3 neste particular.
O FCPorto está para já a 11 pontos do 2º classificado que joga amanhã em Aveiro depois do "brilharete" em Telavive mas que, em caso de vitória e ficando a 8 pontos dos dragões, poderá deixar o campeonato mais renhido.
Afinal o que é ser imbatível?
O conceito de imbatibilidade precisa de ser revisto a não ser que no futebol o empate conte como derrota. Já no empate em Guimarães um jornal fizera capa com um sui generis "Afinal o FCPorto não é invencível". Hoje, por seu turno, foi Daniel Carriço que veio manifestar o seu orgulho pelo facto de o Sporting ter mostrado que o FCPorto não é imbatível.
Das duas uma: ou há um superavit de estupidez reinante que não conhece a diferença entre uma derrota e um empate ou, o FCPorto está de tal forma imperial que as escalas tiveram de ser revistas e um empate conta agora como derrota.














